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Inicia trégua dada pelo Presidente moçambicano à autoproclamada Junto Militar da Renamo


Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

Filipe Nyusi suspende, por uma semana, ataques aos dissidentes e apela ao diálogo

O Governo moçambicano suspendeu qualquer investida contra membros da autodenominada Junta Militar da Renamo a partir deste domingo, 25, por um período de uma semana como forma de abrir caminho para um diálogo com o grupo dissidente do principal partido da oposição.

O anúncio foi feito no sábado, 24, pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi num retiro do partido no poder, Frelimo, em Pemba, capital da província de Cabo Delgado

"Não vamos perseguir a Junta durante uma semana precisamente para dizer que nós estamos abertos, o país está aberto, eu estou aberto", disse Nyusi, depois de anunciar que iria instruir as Forças de Defesa e Segurança (FDS) para, a partir de hoje, “pararem de perseguir a Junta, para darmos oportunidade à Junta de voltar ao diálogo".

O Presidente reiterou que “as vias necessárias" para o diálogo "estão abertas” e que “todos sairemos a ganhar".

"As FDS vão estar instruídas" para não haver "perseguição direta", sem deixarem de estar alerta, detalhou.

Mariano Nhongo, líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo
Mariano Nhongo, líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo

Em junho de 2019, após a eleição de Ossufo Momade um grupo de guerrilheiros liderado por Mariano Nhongo incompatibilizaram-se com o substituto de Afonso Dhlakama e opuseram-se ao acordo de desmilitarização, desarmamento e reintegração assinado entre o Governo e a Renamo.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo escreveu, na altiura, uma carta ao Presidente Filipe Nyusi a pedir a renegociação do acordo e começou a realizar ataques na zona centro do país.

Alguns desses ataques foram assumidos por Nhongo e outros lhe foram atribuídos pelas autoridades policiais.

O grupo também recusa qualquer diálogo com o presidente da Renamo, a quem diz não reconhecer.

Até agora, Mariano Nhongo não se pronunciou sobre o anúncio da trégua e a abertura de diálogo feita pelo Presidente Filipe Nyusi.

Primeira tentativa

No passado dia 9, no Chimoio, o Presidente moçambicano manifestou a disponibilidade para dialogar com a autoproclamada Junta Militar da Renamo, e colocar fim à insegurança em estradas e aldeias do centro do país, que voltaram a ser assoladas por ataques armados.

“A nossa economia exige paz, segurança, por isso quero mais uma vez colocar-me na disponibilidade para liderar este processo de paz nesta região, e em todo o país, e continuarei a colaborar com a liderança da Renamo e aos irmãos que precisam se juntar a nós”, disse Nyusi, em clara alusão aos dissidentes da Renamo, no fim de dois dias de trabalho na província.

Entretanto, na altura, o líder dissidente, Mariano Nhongo, condicionou o diálogo à divulgação da petição enviada há um ano ao Governo e a cessação dos ataques às bases onde reagrupou os seus homens, bem como raptos e assassinatos de membros da Renamo.

Nhongo disse que o conflito evoluiu para o atual nível porque o Governo ignorou os apelos do grupo dissidente para não assinar acordos com a nova liderança da Renamo e avançou com uma solução militar.

“Este já não é um conflito interno da Renamo, quem está a lutar com à (autoproclamada) Junta Militar da Renamo são as Forças de Defesa e Segurança e o exército”, disse à VOA por telefone Mariano Nhongo.

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