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Inércia no combate aos raptos pode ter contribuído para o afastamento da ministra moçambicana do Interior


Patenteamento, por Filipe Nyusi, de Arsénia Felicidade Félix Massingue
Patenteamento, por Filipe Nyusi, de Arsénia Felicidade Félix Massingue

Através de um despacho divulgado na noite passada, 28, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou o afastamento de Arsénia Massingue do cargo de Ministra do Interior, menos de dois anos depois da nomeação.

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O comunicado presidencial não indica as razões da retirada da confiança na então ministra, mas, analistas não têm dúvidas que Massingue é afastada por falta de resultados no combate aos raptos.

"A nomeação de Arsénia Massingue, na altura, visava responder, efectivamente, a problemática dos raptos e pelo tempo que ficou, acho que fez muito pouco para resolver o problema" avalia o analista politico Gil Aníbal.

Aliado a esta hipótese, o jornalista Alexandre Chiúre diz que Massingue pode ter sido vítima da sua inércia para dar despacho a um expediente para a entrada de operativos israelitas que, através de vários lobbies, tentam há algum tempo, entrar para assumir o combate aos raptos no país.

"Houve esse dossier que ela herdou do seu antecessor, contudo, ela não foi capaz de dar celeridade, o que levou a que o próprio Presidente da República questionasse, numa das sessões do Conselho de Ministros, as causas da falta de avanços, numa circunstância em que a polícia não está a ser capaz de acabar com os sequestros (...) acho que foram esses os factores que ditaram o seu afastamento" disse Chiure.

Para o cargo de Ministro, Nyusi foi resgatar Pascoal Ronda, um general na reserva, que há mais de duas décadas desempenhou o cargo de Comandante Geral da Polícia. A sua nomeação divide opiniões.

Aníbal considera que Ronda vai trazer a energia e conhecimento necessário para purificar as fileiras da polícia que, vezes sem conta, tem sido vista como albergando alguns elementos que colaboram com o crime.

Mas Chiúre considera que a escolha não foi acertada.

"Eu conheço o general Ronda. É um grande general, que já assumiu grandes cargos na polícia, mas acho que mas ele já está cansado e deviam lhe deixar descansar," frisou Chiúre.

Arsénia Massingue deixa para a história o facto de ter sido a primeira mulher a dirigir o ministério do Interior.

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