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Imprensa: Profissionais são-tomenses queixam-se de falta de acesso às fontes, recuros e autocensura


"Nós aqui estamos entregues à nossa sorte", diz jornalista de rádio comunitária

O acesso às fontes de informação, autocensura e os baixos salários constituem as principais dificuldades dos profissionais de comunicação social em São Tomé e Príncipe.

Imprensa: Profissionais são-tomenses queixam-se de falta de acesso às fontes, recuros e autocensura
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O reduzido mercado é outra condicionante da imprensa.

Maxímino Carlos, jornalista da rádio pública desde 1975, aponta como maior desafio “acesso às fontes de informação”.

Maximino Carlos, jornalista são-tomense
Maximino Carlos, jornalista são-tomense

“Não conseguimos fazer qualquer investigação, os organismos da administração pública não nos dão informação porque tudo é segredo de Estado”, aponta Carlos.

Por seu lado, Josimar Afonso, que trabalha em órgãos privados e estrangeiros, explica que também é difícil obter a opinião de especialistas e analistas ligados à administração pública.

“Eles têm receio de colaborar com a imprensa em determinadas matérias para não sofrerem represálias. Já houve casos em que as pessoas perderam os seus empregos, outras foram colocadas na prateleira porque deram a sua opinião sobre determinadas matérias e por essa razão as pessoas não colaboram e fica muito difícil fazermos o nosso trabalho”, afirma Afonso, sublinhando que os jornalistas que trabalham nos órgãos estatais também são obrigados a fazer autocensura para não perderem o emprego.

Josimar Afonso, jornalista são-tomense
Josimar Afonso, jornalista são-tomense

“O jornalista que arrisca a desafiar o “chefe” ao fazer trabalho profissional também se arrisca a perder o seu emprego, por isso muitos limitam-se a fazer o trabalho de gabinete para agradar o seu chefe”, acrescenta.

A autocensura estende-se também aos meios privados que vivem com a escassez de recursos.

“Quando o assunto tem a ver com instituições privadas ou do Estado que colocam publicidade para a sobrevivência dos órgãos privados, o responsável por si só já coloca uma dose de censura”, diz Josimar.

Amed das Neves, jornalista são-tomense
Amed das Neves, jornalista são-tomense

Aquele jornalista aponta ainda que cerca de 90 por cento dos que exercem a profissão de jornalista não têm formação na área e que o salário de um quadro superior com formação em jornalismo é de cerca de 150 dólares.

Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a VOA foi também ao encontro de Amed das Neves, jornalista da Rádio Comunitária de Lembá, na região norte da Ilha de São Tomé, que diz ter um salário de cerca de 40 dólares, pago trimestralmente.

“Nós aqui estamos entregues à nossa sorte. O mais simples equipamento, não temos. Fazemos jornalismo por amor”, afirma Amed das Neves.

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