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Impacto do "Idai" pode obrigar Moçambique a fazer Orçamento de Estado rectificativo


Nhamatanda, 22 de Março, 2019

Em alguns círculos de opinião defende-se que os efeitos do ciclone Idai que se abateu sobre a zona centro de Moçambique vão obrigar o Governo a fazer um Orçamento de Estado rectificativo, sobretudo para atender à situação da cidade da Beira, a mais fustigada por aquele fenómeno.

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Esta é a opinião do economista António Francisco, que sublinha que o Governo vai ser forçado a tomar uma série de iniciativas que não estavam na sua agenda para este ano, incluindo a revisão do Orçamento de Estado que já tinha um défice de cerca de 90 mil milhões de meticais.

Considera o economista que o Governo vai necessitar de recursos para a reconstrução das infra-estruturas e prestar assistência a mais de meio milhão de pessoas afectadas pelas intempéries.

Por seu turno, o economista João Mosca destaca que a reconstrução de toda a zona em termos de infraestrutuas destruidas será, pelo menos, um processo de médio prazo e precisará de muitos recursos e de muita organização, não só do Governo e dos municípios, mas também do sector privado, da sociedade civil e da comunidade internacional, considerando que o Estado moçambicano não tem recursos para isso.

Entretanto, para o analista e jornalista Fernando Lima, os efeitos do ciclone acabam constituindo uma oportunidade para a reabilitação da cidade da Beira, onde não há investimento em manutenção, praticamente desde a independência nacional, em 1975.

"E é isto que explica o nível de destruição, numa cidade onde as pessoas vivem em condições muito miseráveis", realçou Lima.

O professor universitário Calton Cadeado, entende, no entanto, que nos próximos três meses, a prioridade vai ser salvar vidas, bem como prestar particular atenção à acções visando a prevenção de malária, cólera e outras doenças resultantes do fraco saneamento, para além do apoio psicológico e mental.

Para analistas, na reconstrução da capital provincial de Sofala, a cooperação deve ter um papel importante, não só através das agências das Nações Unidas como também de outros organismos, num processo em que o Estado moçambicano deve coordenar e priorizar o que deve ser feito primeiro.

Neste caso concreto, o economista João Mosca sugere que haja uma certa flexibilização na disponibilização de recursos, considerando a situação humanitária grave, a destruição de uma vasta zona de Moçambique com recursos muito importantes e o Corredor da Beira como uma importância agrícola, pecuária e de prestação de serviços muito grande, bem como uma região de densidade populacional muito alta.

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