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Human Rights Watch denuncia abuso de forças de segurança em Cabo Delgado


Acusados de ataques em Cabo Delgado

Organização não governamental, que entrevistou vítimas e soldados, pede respostas urgente do Governo moçambicano

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusa as forças de segurança de Moçambique de estarem implicadas em graves abusos cometidos no combate de um grupo alegadamente islâmico armado na província de Cabo Delgado, no norte do país.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 4, a HRW revela que desde Agosto de 2018, as forças de segurança alegadamente detiveram de forma arbitrária, maltrataram e executaram sumariamente dezenas de indivíduos suspeitos de pertencerem a um grupo islâmico armado.

“É fundamental que as autoridades moçambicanas tomem imediatamente medidas para pôr termo aos abusos cometidos pelas suas forças de segurança e para punir os responsáveis”, escreve Dewa Mavhinga, director da HRW na África Austral, citado no portal da internet daquela organização.

Para Mavhinga, a “existência de abusos cometidos por insurgentes nunca justifica a violação dos direitos dos indivíduos e as forças de segurança devem proteger a população em Cabo Delgado, não abusar dos indivíduos”.

A HRW entrevistou 12 vítimas e testemunhas de abusos, tanto em pessoa como por telefone, bem como oficiais das forças de segurança e jornalistas, entre 10 e 27 de Novembro.

Os ataques naquela província são atribuídos a um grupo muçulmano designados Al-Sunna wa Jama'a e Al-Shabab, mas não é conhecida nenhuma reivindicação do grupo ou associação com grupos insurgentes religiosos que operam noutras partes de África.

Testemunhas de atrocidades

A denúncia da HRW é feita após entrevistas com 12 vítimas, testemunhas de abusos, oficiais das forças de segurança e jornalistas, em Novembro.

"Mandaram-nos tirar as camisas e sentar no chão. Os soldados vinham e levavam-nos um a um para a floresta, depois ouvíamos tiros seguidos de gritos. Alguns deles não voltaram," disse à HRW uma das vitimas, jovem agricultor de 23 anos.

Outro jovem, de 25 anos, disse à HRW que “vários dos detidos foram levados para o exterior (…) seguiram-se tiros e gritos e os homens nunca regressaram”.

As autoridades moçambicanas colocaram militares nos distritos atacados e prometeram acabar com a insurgência.

Dois militares ali colocados confirmaram à HRW, no distrito de Macomia, a morte de suspeitos, mas com cautelas para evitar retaliações.

"Ordens superiores"

No comunicado, a organização escreve que um dos soldados disse que tinham recebido “ordens dos seus superiores” para eliminar os “bandidos”, o que interpretou como orientação para"matá-los sempre que possível".

A HRW viu fotos, partilhadas por um soldado, de cadáveres de alegados insurgentes que foram executados extrajudicialmente durante uma operação no distrito de Nangade, em 13 de Novembro.

Desde o início dos ataques, pelo menos, 90 pessoas foram mortas, centenas de casas queimadas e milhares fugiram das suas zonas habituais de residência.

Cerca de 200 suspeitos estão a ser julgados na capital daquela província, Pemba.

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