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Homicídios na Huíla alertam para o insuficiente número de agentes da ordem na província


Agentes da polícia angolana (Foto de Arquivo)

Nove homicídios nos últimos 30 dias destacam-se de um total de 45 crimes violentos ocorridos na província angolana da Huíla, segundo balanço apresentado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

O número aparentemente crescente de crimes cometidos durante o estado de calamidade pública que contrasta com o período do estado de emergênca, em que as autoridades policiais relatavam uma diminuição de ações criminais, traz a debate o rácio do número de polícias por habitantes na região.

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Com cerca de três milhões de habitantes e dois mil efetivos, o rácio local aponta para um polícia para três mil habitantes, longe das orientações das Nações Unidas que recomendam um polícia para 250 habitantes.

Ciente da situação, o comandante da Huíla da Polícia Nacional, comissário Divaldo Martins, refere que este desequilíbrio pode ser compensado com eficácia e eficiência na melhoria da recolha da informação e com o policiamento de proximidade.

“Sabendo o que ocorre, sabendo onde as coisas ocorrem, sabendo quem faz o quê, nós conseguimos direcionar com mais inteligência as nossas ações que não passam apenas por colocar polícia na rua, nós temos que todos os dias contatar a nossa comunidade. A presença de um polícia na rua no meio de mil cidadãos é diluída as pessoas não sentem a presença dele. Mas se esse polícia contatar 100 daqueles mil cidadãos que por ali passam, esses 100 sentem a presença policial, percebem que há ali um elemento, um profissional preocupado com a sua segurança”, explica Martins.

Para o sociólogo Laurindo Bringo, o cometimento de crimes violentos não pode estar dissociado do que chama de colapso das instituições de controlo social, onde se inclui a família.

“Muitos destes delinquentes, provavelmente naquilo que é a construção da sua personalidade, em alguma coisa a família terá falhado e outras situações são questões que são buscadas em outros ambientes. O indivíduo já a certa idade em seus grupos de pares tende a abraçar comportamentos que não são peculiares a sua família”, diz.

Dados oficiais recentemente divulgados à imprensa pelo diretor do Pessoal e Quadros da PN, José Domingos Moniz, colocam a província da Huíla no último lugar em termos de cobertura policial a nível do país, numa proporção de um polícia para 1.666 habitantes.

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