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HIV/SIDA: Mortes e casos não param de aumentar em Angola


Pobreza apontada como "inimiga" do combate à doença e muitos pacientes abandonam o tratamento

Quarenta anos após a descoberta dos primeiros casos de HV/SIDA, Angola encontra na pobreza um entrave no combate à doença, que provoca 38 mortes e 76 infecções a cada dia.

Em mensagem alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a SIDA, que se assinala nesta quarta-feira, 1, a Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO) não apresenta elementos comparativos, mas fala em aumentos que geram alarmes, principalmente quando se olha para as 340 mil pessoas infectadas.

Num país a registar anualmente 22 mil novas infecções e 16 mil mortes, as mulheres são a franja mais afectada, mas os jovens e crianças também preocupam, segundo o presidente da ANASO.

“As mulheres continuam a ser as mais afectadas, com cerca de 190 mil casos; nesse momento temos cerca de 44 mil jovens, dos 15 aos 24 anos com hiv; o país tem cerca de 39 mil crianças infectadas, apenas seis mil fazem terapia”, aponta António Coelho.

A mesma terapia está a ser feita por menos de metade dos angolanos infectados, muitos assolados pela pobreza.

Coelho acrescenta que “a taxa de prevalência do país é de dois por cento, o que significa que cerca de 340 mil pessoas vivem com HIV/SIDA, sendo que apenas cerca de 80 mil conhecem o seu estado serológico e 111 mil fazem terapia antirretroviral”.

Na óptica do presidente da ANASO, “Angola continua a ser um país vulnerável à epidemia, devido a factores como a extrema pobreza, a grande mobilidade da população, início precoce da actividade sexual e factores culturais”, vinca o presidente da ANASO.

De Benguela, província que conta com financiamento do Fundo Global na luta conta o HIV/SIDA, à semelhança do Kwanza Sul, surge um exemplo de que a pobreza atrapalha as contas.

O consultor João Misselo da Silva, membro do Mecanismo de Coordenação do Fundo Global em Angola, considera que as políticas públicas devem ser melhoradas.

“Cada vez mais aumenta o número de pacientes que abandonam o tratamento e eles alegam razões económicas, falta de alimentação. A questão da Covid-19 trouxe cenários dramáticos, alguns estão sem recursos para adquirir alimentos compatíveis com a medicação”, salienta o consultor, quem defende “estratégias baseadas na busca de soluções”.

Cunene é a província mais afectada, com seis por cento dos casos, seguida pelas províncias do Leste, Moxico Kuando Kubango e Luandas Norte e Sul.

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