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Guiné-Bissau assinala 48 anos de independência sem celebrações mas com obstaculos “gigantescos”


Economista diz que políticos guineenses “não têm ideias” para melhorar o país e analista político considera que sonhos de Amílcar Cabral estão por concretizar

Sem celebrações oficiais e com pessimismo quanto ao futuro imediato do país, a Guiné-Bissau celebrou nesta sexta-feira, 24, o 48o. aniversário da sua independência, proclamada em 1973 quando Portugal ainda coontrolava as principais cidades do país.

Num discurso gravado, o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, convidou os guineenses a uma reflexão profunda e permanente sobre a melhor forma de preservar a unidade e coesão nacional num país que desde a independência tem sido marcado por crises e conflictos armados e que é hoje um dos países mais pobres do mundo.

De acordo com o mais recente relatório do Índice de Desenvolvimento Humano, a pobreza atingiu 67,2% da população.

Associada à pobreza, a Guiné-Bissau é um pais marcado há 21 anos desde o conflito político-militar de 7 de Junto de 1998, por ciclos de violência política e instabilidade permanente.

Instabilidade resulta em sub desenvolvimento

Por isso, o sociólogo guineense Tamilton Teixeira não se surpreende pela degradação do tecido social guineense.

“Qualquer país com este cenário, igual ao nosso, o resultado tinha que ser a pobreza, porque a instabilidade é a própria regra e quando a instabilidade é a própria regra, nós não podemos esperar resultados que sejam diferentes”, afirma.

Teixeira acrescenta que "todos os indicadores indicam que o nível de degradação social vai aumentando e não há uma previsão de a Guiné-Bissau retomar o seu rumo para atingir aquilo que são os anseios e os objectivos plasmados na justificativa da independência”.

Sem uma produção interna notável, a economia da Guiné-Bissau depende muito da importação dos produtos essenciais, um facto que a torna dependente do mercado externo.

Diante desta realidade, o economista Bruno Silva diz ser "urgente diminuir a taxa da pobreza, através de políticas que possam promover a igualdade social e também aumentar a responsabilização dos agentes públicos e dos executores públicos, e proporcionar um crescimento da taxa de escolaridade”.

Contudo, o sociólogo Tamilton Teixeira, acredita num país possível.

Mas, para isso, diz, ser "preciso que surjam novas forças que poderão propor outras novas dinâmicas e visões diferentes do entendimento daquilo que deve ser o normal funcionamento do Estado e da forma de fazer a política”.

A mesma opinião vem do economista, Bruno Silva quem avisa que “o desafio de transformação do país é gigantesco”.

“O problema é que a maior dos políticos, infelizmente não têm ideia de estratégias para projectar o país, pelo menos, o crescimento económico”, acrescenta.

Por seu lado, o analista político Rui Landim considera que 48 anos depois, o sonho de Amílcar Cabral ficou por se realizar, mas entende que também não forma suficientes para o desenvolvimento que Cabral.

“Quarenta e oito anos é muito tempo, sim, mas não é o tempo que seja suficiente para resolver todos os problemas, embora tenhamos que reconhecer que muita coisa poderia ser feito”, considera Landin.

A visão de Amílcar Cabral que , segundo aquele analista, pretendia "fazer a Guiné-Bissau, Cabo Verde e África, territórios de paz, oásis de paz, de liberdade e de direitos, à luz das normas internacionais”, acrescentou.

Entretanto, no seu discurso, o Presidente guineense falou num “novo ciclo político”, iniciado em 2020, que coincide com uma mudança de geração.

“De uma geração que enfrentou os fracassos registados ao longo dos 48 anos de independência, para uma geração que, hoje, está determinada em traçar um novo rumo para a Guiné-Bissau”, afirmou Embaló, para quem “não é por acaso que chamei a esta geração - que é minha - a Geração do Concreto”.

Na mensagem, ele instou os cidadãos a preservar as conquistas que “vamos alcançando e o respeito que vamos granjeando em África e no mundo”, o que, sublinhou, “requer a implementação de acções mais enérgicas e eficientes no plano interno, com especial destaque para a luta sem tréguas contra a corrupção e a injustiça”.

As celebrações oficiais foram adiadas para 16 de Novembro, Dia das Forças Armadas.

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