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Guiné-Bissau: Aristides Gomes denuncia plano para assassinar políticos e maioria parlamentar pede respeito


Aristides Gomes, primeiro-ministro demitido

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau demitido na sexta-feira, 28, pelo autoproclamado Presidente, Úmaro Sissoco Embaló, Aristides Gomes, denunciou neste domingo, 1 de Março, que a existência de um plano que visava assassinar alguns indivíduos consideradosprincipais figuras de Estado incluindo ele, visto como um obstáculo a “certas formas de exercício do poder”.

Em declarações aos jornalistas, Gomes revelou que indivíduos armados, a mando do Ministério do Interior, invadiram a sua residência em Bissau e levaram duas viaturas da escolta policial, depois de terem ameaçado neutralizar a sua segurança e detê-lo.

“Como sabem a Primatura está ocupada há alguns dias. O Ministério do Interior foi ocupado muito cedo, o Supremo Tribunal, o Ministério da Justiça e o Ministério das Pescas também foram ocupados e praticamente o Governo legítimo que vem das eleições de Março, não pode funcionar… Estamos face a uma situação do bloqueio total. A segunda fase desta investida é contra os membros do Governo e sobre o protesto de confiscação de viaturas do Estado”, disse.

Aristides Gomes fez estas denúncias aos jornalistas na sua residência para reagir à “invasão” da sua residência particular por indivíduos armados, que, segundo ele, foram a mando do Ministério do Interior e lhe retiraramduas viaturas de escolta policial, além de terem ameaçado neutralizar a sua segurança e detê-lo.

Aristides Gomes acrescentou ter dado instruções à sua segurança e aos elementos da força de interposição da Comunidade Económica do Estados da África Ocidental (ECOMIB) que protejem a sua residência para não reagirem às provocações e lembrou que os agentes têm de ser acompanhada pelas forças nacionais.

O primeiro-ministro demitido reiterou não querer ser “um fator de tensão e de rixas que pudessem conduzir à violência”.

O jornal O Democrata escreve que, na ocasião, perguntou a Gomes quem está a dirigir o país com a renúncia neste domingo de Cipriano Cassamá do cargo de Presidente interino.

“Neste momento quem está a dirigir o país é quem tem a força”, respondeu Aristides Gomes.

Maioria pede respeito

Por outro lado, os deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Partido da Nova Democracia e União para a Mudança emitiram um comunicado a pedir respeito pela Constituição e legalidade.

Os parlamentares que constituem a maioria parlamentar – 52 dos 102 deputados – divulgaram um comunicado no qual “apelam às forças vivas da Nação a conformarem as suas atuações com a Constituição e as demais leis da República, a fim de se manter a paz, a estabilidade e a reconciliação entre os guineenses”.

Eles também pedem aos atores políticos e à sociedade a se manterem calmos e "absterem-se de comportamento que possam pôr em causa a paz social e a tranquilidade dos guineenses” e encorajam “a sociedade civil, as entidades religiosas e o poder tradicional a assumirem o habitual protagonismo, para, em conjunto com as estruturas de Estado legalmente instituídas, busquem entendimentos perante o golpe de Estado em curso".

Em relação à comunidade internacional, os deputados da maioria parlamentar pedem que acompanhe a situação no país e lembram que o processo eleitoral ainda não está encerrado.

CPLP pede neutralidade às Forças Armadas

Em Lisboa, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) revelou, em comunicado, estar a acompanhar “com atenção e muita preocupação” a situação na Guiné-Bissau.

“A CPLP exorta as forças armadas republicanas a se absterem de ações que comprometam a sua posição de neutralidade face a diferendos de natureza político-partidária”, lê-se na nota que desafia as “instituições civis competentes” a encontrarem “muito rapidamente as soluções definitivas de paz e estabilidade políticas.

Situação confusa

A situação na Guiné-Bissau mudou bruscamente na quinta-feira, 27, quando o vencedor declarado da segunda volta da eleição presidencial de 29 de Dezembro de 2019 pela Comissão Nacional das Eleições (CNE), Úmaro Sissoco Embaló, assumiu o poder numa cerimónia considerada por ele simbólica num hotel de Bissau, convocada pelo primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular, Nuno Gomes Nabian.

Na ocasião recebeu a faixa presidencial e depois de um discurso de posse dirigiu-se ao Palácio Presidencial, acompanhado do Chefe de Estado cessante, José Mário Vaz, que lhe passou o poder e, depois, deixou o Palácio.

Na sexta-feira, em dois decretos presidenciais, Embaló demitiu o primeiro-ministro Aristides Gomes e nomeou para o cargo Nuno Gomes Nabian.

No mesmo dia, o presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá, tomou posse na Assembleia Nacional Popular com o apoio do maioria parlamentar como Presidente da República interino, por considerar ter havido vacatura na Presidência devido ao abandono de José Mário Vaz.

Hoje, Cassamá renunciou à Presidência interina devido a ameaças contra a sua integridade física, de acordo com uma declaração feita a jornalistas

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