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Grupos terroristas em África capitalizam com COVID-19


Forças especiais EUA em missão internacional de treino no Niger (foto de arquivo,4 Março 2014)

As organizações terroristas parecem estar a apertar o seu controle sobre várias regiões da África, apesar dos esforços contínuos dos Estados Unidos e seus aliados para reduzir as suas capacidades e limitar o seu alcance.

A avaliação faz parte de um novo relatório divulgado pelo inspetor geral do Departamento de Defesa, e surgem no momento em que esforços liderados pelos EUA tiveram que se ajustar e, em alguns casos, reduzir as atividades por causa do coronavírus que está se espalha pelo continente.

“Os Estados Unidos e seus parceiros internacionais fizeram progresso limitado”, escreveu o inspetor geral em exercício Sean O’Donnell no relatório trimestral, citando reveses contra afiliados da Al Qaeda e do Estado Islâmico, também conhecido como IS ou ISIS.

Em vez de desacelerar os grupos terroristas, o relatório alertou que a disseminação da COVID-19, a doença causada pelo coronavírus, parece ter dado a muitos deles novas oportunidades de expansão.

Os avisos do crescimento de grupos terroristas não são novos

“A pandemia exacerbou muitas das condições subjacentes que fomentam o crescimento da VEO (organização extremista violenta), incluindo a insegurança económica e alimentar”, escreveu O'Donnell, apontando para avaliações das Nações Unidas de que, em algumas áreas, os grupos terroristas “capitalizaram o vírus para minar a autoridade do governo estadual e continuar os seus ataques. ”

Os avisos sobre a resiliência da Al Qaeda e afiliados do SI na África não são novos. O general Stephen Townsend, chefe do Comando para África dos EUA, alertou os legisladores americanos há meses que esses grupos estavam "em marcha" e a tornarem-se cada vez mais ambiciosos.

"Se o ISIS conseguir criar um novo califado, ou a Al Qaeda, eles o farão", disse ele em março.

Apesar de sucessos atividade terrorista ultrapassa esforço de combate

Em relatório divulgado em julho, o Inspetor Geral do Departamento de Defesa relatou que a atividade terrorista em África "parece estar ultrapassando os esforços dos EUA, da Europa e da África para combatê-la".

Apesar de alguns sucessos, incluindo uma operação liderada pela França em junho no norte do Mali que matou o emir da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM), com a ajuda dos EUA, várias autoridades temem que os focos de terror na África estejam cada vez mais quentes.

Uma área de preocupação é a África oriental, onde oficiais militares dos EUA dizem que até 10.000 combatentes da Al-Shabab, afiliada à Al Qaeda, continuam a gozar de liberdade de movimento, permitindo-lhes realizar ataques que o relatório do inspetor geral descreve como “de niveis historicamente altos."

Clima e falta de recursos limitam ataques contra-terrorismo

Dados compilados pelo projeto Armed Conflict Location and Event Data (ACLED) indicam que a al-Shabab realizou 608 ataques durante três meses, de abril a junho, e 568 incidentes durante o primeiro trimestre.

Ao mesmo tempo, as más condições climáticas e a falta de recursos limitaram os EUA a apenas sete ataques aéreos contra o grupo terrorista, em comparação com 33 durante os primeiros três meses do ano.

Oficiais militares norte-americanos também expressaram preocupação com a África Ocidental, onde os afiliados da Al Qaeda e do EI conseguiram expandir suas operações no Sahel ocidental e nas regiões do norte de vários países costeiros.

Em particular, o Comando para África dos EUA disse que tanto o IS-Africa Ocidental quanto o Boko Haram beneficiaram com a disseminação do coronavírus, causando "estragos" nas comunidades forçadas à auto-quarentena.

Estado Islâmico-Líbia pode estar a crescer

O relatório também alertou sobre perigos crescentes no norte da África, especificamente do EI na Líbia, que esteve relativamente quieto até maio.

“O ISIS-Líbia retomou os ataques em pequena escala na região desértica do sul”, disse O’Donnell.

Um relatório recente das Nações Unidas, baseado na inteligência de um estado membro, disse que o IS-Líbia tem provavelmente apenas algumas centenas de combatentes.

Mas pelo menos um serviço de inteligência avisa que o grupo pode estar a crescer, reunindo até 1.400 combatentes sob a sua bandeira.

E embora as autoridades americanas acreditem que a estimativa menor seja mais precisa, há preocupações crescentes de que a guerra civil em curso na Líbia e o influxo de milhares de mercenários e combatentes estrangeiros possam criar condições que permitam que o EI prosperar.

O Comando para África dos EUA estima que, até o final de junho, mais de 7.000 combatentes sírios migraram para a Líbia, a maioria com a ajuda da Rússia ou da Turquia.

As autoridades americanas acreditam que um número crescente de combatentes sírios pode ter ligações anteriores com organizações terroristas, embora muitos deles provavelmente estejam a lutar na Líbia por razões financeiras ou pessoais. A maioria dos combatentes sírios, cerca de 5.000, parece estar a lutar com mercenários turcos e tropas para apoiar o Governo de Acordo Nacional da Líbia.

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