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Governo angolano "puxa" pela produção interna em fase crítica no mercado de consumo


Falta de crédito trava aumento da produção

O Governo angolano reforça o apelo ao consumo da produção nacional, numa mensagem em que recorda os 1.500 milhões de dólares/ano gastos com as importações, em fase crítica do comércio, aliada a dificuldades no acesso aos financiamentos.

No recente frente-a-frente com empresários, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, apontou os encargos com as forças de segurança para sublinhar a necessidade de substituição das importações, mas no terreno prevalecem queixas relativas à lentidão no trabalho de casa.

Empresarios falam sobre os probelmas da economia angolana - 2:21
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Factor determinante na criação de bens e serviços, com realce para a cesta básica, o crédito bancário continua a suscitar críticas ao Executivo, o mesmo que diz ser ‘’regulador’’ da actividade económica.

O empresário Paulo Neves fala em classe paupérrima num país que pode ver desaparecer a classe média, onde a banca não funciona.

“A banca vive da venda de divisas e do financiamento ao Estado. É impossível fazermos projectos com margens de lucros pelos bancos em taxas de 20 a 30 por cento. O país tem tudo para ser rico, mas as políticas não são certas. Qualquer dia temos um país só de ricos, daqueles que se apoderaram do erário público, e sem uma classe média. Vamos produzir para quem?’’, Neves.

A produção actual disponível, insuficiente para a demanda, não é escoada, conforme exemplifica o fazendeiro Manuel Monteiro, membro do Conselho da República, um dos maiores produtores de banana e hortícolas.

‘’O primeiro constrangimento é o acesso para Luanda, já que o mau estado da via cria constrangimentos, sendo uma delas a destruição das viaturas. Felizmente, as notícias dizem que as coisas vão melhorando. Por outro lado, quando há crise o próprio consumo entra numa fase de esfriamento’’, lamenta aquele empresário.

A revisão do OGE/2019, já criticada pela UNITA, na oposição, pode implicar cortes nas despesas capitais, por via dos quais o Estado cria condições favoráveis ao ambiente de negócios.

O economista e consultor empresarial Janísio Salomão aborda esta questão na perspectiva da competitividade

“Estamos a falar de problemas infra-estruturais, um deles a energia, que não existe nos campos de produção e nas indústrias. As fontes alternativas precisam de combustível, para não falar da água e das estradas. Isto encarece a produção nacional, que quando comparada, por exemplo, com o que vem da Namíbia fica mais caro ao consumidor. E mais, às vezes o importado tem mais qualidade, por isso não podemos falar de competitividade’’, diz Salomão.

Na última sessão de apresentação do Prodesi, programa de apoio à produção, diversificação das exportações e substituição das importações, para o qual o Governo disponibilizou 13 mil milhões de kwanzas, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, garantiu empenho do Executivo na luta pela estabilidade política e macroeconómica.

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