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Forças de segurança no Sudão voltam a reprimir manifestantes e ONU oferece-se para mediar a crise


Protestos contra militares em Cartum, Sudão, 6 de Janeiro de 2022.
Protestos contra militares em Cartum, Sudão, 6 de Janeiro de 2022.

Associação de Profissionais Sudaneses recusa negociar com os militares e as Forças para a Liberdade e Mudança disse não ter recebido informações da ONU

Forças de segurança no Sudão dispararam gás lacrimogéneo neste domingo, 8, contra milhares de pessoas que voltaram a protestar nas ruas da capital Cartum e na cidade gémea de Omdurman, contra o golpe militar de Outubro e a presença dos militares no poder.

A ONU oferece-se para mediar a crise mas a poderosa Associação de Profissionais Sudaneses já recusou negociar com os militares.

"Não, não ao regime militar", gritavam os manifestantes enquanto agitavam a bandeira nacional.

Sudão: protestos anti-golpe militar
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Nas manifestações de hoje, os médicos, vestidos de branco, protestaram contra a invasão de hospitais e instalações médicas pelas forças de segurança nas manifestações anteriores.

O Comité Central de Médicos Sudaneses disse no sábado que vai entregar um memorando aos funcionários da ONU com a lista das "agressões" contra os hospitais.

A repressão das forças de segurança aos protestos realizados quase que diariamente desde o golpe de 25 de Outubro já provocou pelo menos 60 pessoas, segundo o Comité Central de Médicos Sudaneses.

Os militares têm negado repetidamente o uso de munição real para dispersar os manifestantes e insistem que dezenas de membros das forças de segurança foram feridos durante as manifestações que muitas vezes “se desviaram da paz”.

Na semana passada, o primeiro-ministro civil do Sudão, Abdalla Hamdok, renunciou por considerar que o país estava numa "encruzilhada perigosa que ameaça sua própria sobrevivência".

ONU quer mediar, mas tem oposição

Ele retomou o cargo a 21 de Novembro, depois de ter sido deposto no golpe de Outubro.

Ontem, a ONU disse que vai tentar mediar negociações entre os principais interessados no Sudão numa tentativa de resolver a crise.

Mas as Forças para a Liberdade e Mudança (FFC), a aliança civil que liderou os protestos contra o antigo ditador Omar al-Bashir em 2019 e integrou o Governo de transição, disse que não recebeu "nenhuma informação" sobre a iniciativa da ONU.

Hoje, a Associação de Profissionais Sudaneses, que também foi determinante para a queda de al-Bashir, disse ter "rejeitado" completamente as negociações mediadas pela ONU.

"O caminho para resolver a crise sudanesa começa com a derrubada completa do conselho militar golpista e a entrega dos seus membros à justiça para responderem pelos assassinatos cometidos contra o povo sudanês indefeso (e) pacífico", disse a SPA em comunicado.

O Conselho de Segurança da ONU deve reunir-se na quarta-feira, 12, para discutir os últimos acontecimentos no Sudão.

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