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FMI alerta para impacto das consequências da guerra na Ucrânia na Guiné-Bissau


José Gijon, chefe da missão do FMI (esq) e João Aladje Fadia, ministro das Finanças da Guine-Bissau (dir), Bissau, 19 Abril 2022

Esse impacto pode afectar principalmente os mais vulneráveis e FMI e Governo concordam que há que diversificar a economia

O Fundo Monetário Internacional deu nota positiva à Guiné-Bissau, ao apontar a produção recorde da castanha de caju no ano passado e uma situação política global mais estável, como um dos factores determinantes.

Em conferência de imprensa, o chefe da missão do FMI, José Gijon, afirmou, no entanto, recear que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia venha afectar a economia da Guiné-Bissau.

“A economia do país recuperou da pandemia da Covid-19, estima-se que o crescimento tenha acelerado para 5% em 2021, devido à produção recorde de castanha de caju, ao investimento público em infraestruturas, ao levantamento gradual das medidas de contenção da Covid-19 e a uma situação política global mais estável”, afirmou Gijon, quem no entanto, acrescentou que “as perspectivas tornaram-se, porém, mais incertas dado ao impacto potencial do aumento dos preços do petróleo e dos alimentos resultantes da guerra na Ucrânia2.

Neste caso, ele estima que “o crescimento seja de cerca de 3% em 2022, com uma inflação superior a 5% que afectará negativamente os mais vulneráveis”.

Nos últimos tempos, tem-se registado o aumento de preço de produtos da primeira necessidade e a escassez da gasolina no país.

Diversificação da economia

Para inverter esse quadro, o ministro das Finanças, João Aladje Fadia, pondera diminuir a pressão fiscal sobre esses produtos, assim como prestar apoios à população.

“Há, de facto, risco de que os preços de bens de primeira necessidade e combustível aumentem, e, inclusive, prevê-se que em 2022 poderá afectar o crescimento. E algumas medidas estão a ser tomadas para minimizar os efeitos. Terá o seu custo, naturalmente, ou seja, o Estado poderá diminuir a pressão fiscal sobre esses produtos, bem como prestar apoios à população”, disse Fadia.

A missão do FMI concluiu que o país está altamente exposto a flutuações de preços internacionais, por depender exclusivamente da produção e exportação da castanha de caju.

Por isso, José Gijon recomenda uma diversificação económica e a preservação da estabilidade política.

“A economia é exclusivamente dependente da produção e exportação da castanha de caju, o que deixa o país altamente exposto a flutuação nos preços internacionais e às condições climáticas locais. A diversificação da produção e das exportações pode contribuir para maior e mais sustentável crescimento, havendo oportunidades numa série de áreas como sejam a agricultura, indústrias transformadoras, recursos naturais e turismo”, apontou aquele responsável do FMU, que também defendeu a preservação da “estabilidade política..

Quanto à diversificação da economia, o ministro João Aladje Fadia considerou que ela é crucial porque “se houver problemas no mercado internacional praticamente ficamos sem possibilidades, e a população será afectada fortemente”.

O governante reconhecer que o “país tem potencialidades turísticas”, mas também pode produzir o seu próprio arroz e o exportar, além de explorar o sector mineiro.

O Governo aguarda pela aprovação de uma linha de crédito ampliado para este ano por parte do FMI.

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