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Fim da "bicefalia" em Angola divide opiniões


João Lourenço e José Eduardo dos Santos

João Lourenço é "candidato natural" à susbtituição de José Eduardos dos Santos

O MPLA anunciou na semana passada que João Lourenço vai substituir José Eduardo dos Santos na liderança do partido, ao confirmar a sua candidatura ao cargo no congresso extraordinário a realizar-se em Setembro.

A anunciada bicefalia parece ter acabado.

Numa leitura sobre o futuro do partido no poder, há analistas que falam numa “confirmação da ditadura”, enquanto outros dizem não fazer sentido o Presidente da República não assumir a liderança do MPLA.

O jornalista William Tonet considera que o MPLA foi infeliz nessa decisão que marca o regresso do país a 1975.

"É a renovação pura e simples da ditadura, era melhor termos um Presidente da República de todos os angolanos do que um Presidente da República dos angolanos do MPLA, mas infelizmente esta foi a opção e o país vai sofrer mais com isso, porque vamos continuar com os benefícios para os dirigentes”, diz Tonet, lembrando que não será possível a João Lourenço “manter a máquina e mandar para a guilhotina todos os seus companheiros".

Pedro Caparacata, outro analista, é de opinião que 99 dos militantes do MPLA não se posicionam em função do líder, mas dos bens materiais que poderão proporcionar.

"As pessoas são as mesmas, a filosofia é a mesma e não pensem que José Eduardo dos Santos, não obstante sair da presidência do partido, vai perder o poder porque em África os mais velhos são postos e ele não é um mais velho qualquer”, acrescentou Caparacata, para quem Santos pode “ir-se transformando aos poucos num pequeno Ayatolah de Angola, ao encontro do qual todos nós teremos de ir ter de quando em vez e sair de lá com uma orientação".

Opinião contrária tem o analista político João Castro Freedom que considera a medida de acertada.

"Não faria muito sentido que o Presidente João Lourenço ficasse nas alturas do Estado e a base, onde tudo se movimenta, estar nas mãos de outra pessoa”, defende Freedom, que vê com bons olhos que Santos vá descansar um pouco e, se calhar, “escrever um livro sobre as suas memórias”.

Recorde-se que o Bureau Político do MPLA decidiu avançar com João Lourenço como candidato à sucessão de José Eduardo dos Santos à frente dos destinos do partido num congresso extraordinário a realizar-se na primeira quinzena de Setembro.

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