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Filipe Nyusi diz que diálogo com a autoproclamada Junta Militar da Renamo já começou


Presidente Filipe Nyusi

Presidente moçambicano apelou à participação da Renamo que disse não ter sido informada do processo

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, revelou na manhã desta quarta-feira, 28, estar em curso o diálogo entre o Governo e a autoproclamada Junta Militar da Renamo com vista ao fim dos ataques na região centro do país, na sequência da trégua anunciada por ele no sábado, 24, de uma semana, durante a qual as Forcas de Defesa e Seguranca (FDS) suspenderão qualquer investida contra os guerrilheiros liderados por Mariano Nhongo.

Na abertura da reunião anual das autarquias locais, Nyusi revelou que, apesar do último ataque registado no domingo, mantém-se a trégua para que o dialogo possa ocorrer tranquilamente.

“Apesar da ponderação e da trégua que anunciei no dia 24, sábado, a Junta Militar voltou no dia 26 de Outubro, domingo, pelas 18 horas, a disparar contra um autocarro de passageiros no troço entre Zove e o Rio Gorongodzi, no Distrito de Chibabava na Província de Sofala”, revelou o Presidente, para depois assegurar que “mesmo assim mantenho a minha posição de não perseguir para dar espaço a estes contactos que estão a ser estabelecidos".

Filipe Nyusi reiterou que a instrução dada à FDS vai manter-se “de modo a dar tempo e espaço para que possam decorrer serenamente os contactos sem ruídos e precipitados”, escusando-se a revelar os detalhes do que está na mesa de diálogo com Nhongo.

"Sabe-se que todos os contactos que desenvolvemos e inclusive o último que desenvolvi (com Ussufo Momade, presidente da Renamo), os passos e os contactos não entraram na pauta, mas os contactos estão a decorrer, não há espaço para muitas sugestões para fazer isto mais aquilo, mas essas exigências acontecem no dialogo que não estão a ser necessariamente feito por mim”, acrescentou o Presidente, sugerindo também o envolvimento da Renamo.

“Apelo a Renamo para que não se distancie porque os argumentos que têm sido colocados referem-se directamente à Renamo por causa da não concordância, então o elemento chave neste aspecto também é a Renamo, não fica bem entrarmos numa casa do vizinho sem que o próprio vizinho participe, mas o vizinho tem que estar presente e aceitar a participação", defendeu Filipe Nyusi.

Entretanto, o secretário-geral da Renamo, José Manteiga, diz que o partido ainda não foi oficialmente informado sobre este diálogo e que "qualquer pretensão ou qualquer reivindicação de pôr em causa a liderança da Renamo não procede porque o presidente Ussufo Momade é um Presidente legítimo e escolhido pelos membros e simpatizantes da Renamo”.

Manteigas considera ainda que “este é um problema de insegurança que está a ser criado pela violência que surge dos actos perpetrados por este grupo”, e sublinha que “se este grupo de moçambicanos tem alguma inquietação acreditamos que o melhor sitio e o melhor fórum é num diálogo”.

Nhongo impõe condições

Como a VOA notiticou ontem o líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, garantiu que vai criar uma espécie de um corredor de diálogo com o Governo, se a intenção do Presidente for “realmente honesta” de pacificar o país, particularmente a região centro de Moçambique, que voltou a ser assolado por ataques em estradas e aldeias desde agosto de 2019.

Para o líder dissedente, o Governo devia primeiro criar condições e ambiente de confiança, apropriados para o diálogo, e negociar o próprio cessar-fogo com o grupo, o que iria permitir medir as intenções das partes.

“Eu só enviarei homens para preparar as negociações se tiver certeza que a intenção da Frelimo (Governo) é verdadeira, se não for para sequestrar”, precisou, Mariano Nhongo, quem salientou que as anteriores negociações fracassaram devido às inverdades do Governo.

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