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Famílias angolanas burladas por empresa brasileira querem justiça


Dezenas de famílias angolanas que perderam milhões de dólares numa burla de uma empresa brasileira continuam à espera de justiça num processo que está há vários anos paralisado num tribunal de Luanda.

Vítimas de fraude habitacional querem justiça - 3:26
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Doze anos depois alguns daqueles que perderam dinheiro na burla querem justiça e indemnizações mas o processo está parado no tribunal provincial de Luanda.

Um antigo membro da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP) iliba o Estado de qualquer responsabilidade e diz que ele próprio foi vítima da burla.

O projecto sob tutela da empresa brasileira “Build Angola”, para a construção de condomínios residenciais nas províncias de Luanda e Bengo, teve uma massiva divulgação em 2008, o que despertou a adesão de cidadãos que esperavam a concretização do sonho da casa própria.

Na publicidade foi mesmo usada a figura do “Rei do Futebol” Pelé.

Testemunho: Vítima de burla detalha como perdeu 78 mil dólares em projeto imobiliário
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Josina Bula Luís Sango, uma das lesadas, disse que um total de 247 famílias foram burladas em 54 milhões de dólares.

“Emocionalmente acabaram connosco, famílias ficaram totalmente destruídas e os danos são incalculáveis”, afirmou, acrescentando que o antigo responsável da Agência de Investimento Privado, Aguinaldo Jaime, deveria assumir responsabilidade por se ter “imiscuído” com os brasileiros cedendo-lhes espaços para “os brasileiros montarem stands de venda”.

“Esse gesto maléfico acabou por legitimar uma burla de milhões de dólares prejudicando os seus compatriotas até ao ponto de custar vidas humanas”, acrescentou Sango, para quem “por uma questão de bom nome devia vir reconhecer que enquanto representante do estado acabou por voluntária ou involuntariamente prejudicar-nos”.

Aguinaldo Jaime antigo responsável da antiga ANIP, nega qualquer responsabilidade, acrescentando que está no processo apenas como declarante, por ter sido ele também vítima do mesmo grupo.

“A minha responsabilidade foi apenas receber o dossier de candidatura deste grupo empresarial que apresentou os documentos exigidos por lei, realizando um investimento importando capitais do exterior”, disse acrescentando que depois foi passada à empresa o certificado de realização do investimento privado.

“Depois os contratos que foram assinados já não passaram por mim, nem tinham de passar”, disse Aguinaldo Jaime que revelou depois que ele próprio “por ter acreditado nestes empresários e neste projecto também fui uma das pessoas burladas”.

Aguinaldo Jaime disse ter feito o pagamento de um depósito para adquirir duas quintas num dos projectos e que nunca as recebeu.

“Também acabei por ser lesado e não vou com isso imputar responsabilidades ao Estado pois acreditei neles, os indivíduos fugiram do país e deixaram muitas pessoas lesadas incluindo eu próprio”, acrescentou.

Josina Sango acusou também a directora da Maternidade Lucrécia Paím, Maria Manuel de Jesus Mendes, de ser sócia de uma empresa em que alguns dos burlados fizeram pagamentos.

“Nós apresentámos as provas os documentos, como é que podem dizer que não localizaram as pessoas, os proprietários e sócios dessas empresas?”, interrogou.

A Voz da América tentou contactar Maria de Jesus Mendes mas não obteve qualquer resposta.

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