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Família de negro baleado pela polícia em Wisconsin pede justiça e fim da violência na cidade


Violência em Kenosha

A família de Jacob Blake Jr., homem negro baleado pela polícia em Kenosha, no Estado americano do Wisconsin, fez nesta terça-feira, 25, uma defesa emocionada do valor da vida dele e pediu o fim dos protestos violentos que emergiram na cidade.

O governador do Estado declarou estado de emergência para conter a violência,

“Eles atiraram no meu filho sete vezes. Sete vezes! Como se ele não importasse”, disse o pai Jacob Blake Sr., com a voz embargada de emoção, numa declaração à imprensa após o incidente no domingo, no qual seu filho de 29 anos foi baleado.

“Meu filho tem importância. Ele é um ser humano e ele importa”, concluiu.

A comunicação foi convocada pelos advogados da família enquanto autoridades estaduais e locais se preparam para uma terceira noite de distúrbios devido ao incidente, no qual Jacob Blake Jr. levou sete tiros da polícia à queima-roupa.

Mais cedo o governador do Wisconsin, Tony Evers, declarou estado de emergência e disse que iria usar mais tropas da Guarda Nacional para combater saqueadores e incendiários que causaram danos generalizados a prédios públicos e empresas durante a noite.

Os advogados disseram que Blake ficou paralisado da cintura para baixo, possivelmente de maneira permanente, e que teve perfurações no estômago, sofreu danos nos rins e fígado e que precisará ter parte do intestino removido.

Julia Jackson, mãe de Jacob, fez um apelo emocionado por união, dizendo que orava pelos polícias.

Ela também disse estar desapontada com os prejuízos à cidade.

“Isso não reflete o meu filho ou minha família”, disse Julia, acrescentando que "se Jacob soubesse que isso está a acontecer, o quão longe está indo, com violência e destruição, ele ficaria muito insatisfeito”.

Blake, que tentava separar uma briga entre duas mulheres, foi atingido por quatro dos sete tiros, todos eles executados por um policia, em frente aos seus três filhos, de acordo com o advogado especialista em direitos civis Ben Crump, que representa a família Blake.

Um vídeo captado por uma pessoa mostra Blake a dirigir-se à porta do lado do motorista do seu carro, dando as costas para dois policias que apontavam as armas em direção às suas costas.

Depois que ele abre a porta e se inclina para dentro do carro, sete tiros são disparados, com um dos polícias a puxar pela camisa.

A corporação ainda não explicou por que Blake foi baleado.

O incidente está a ser investigado pelo Departamento de Justiça do Wisconsin, que não divulgou nenhum detalhe.

A polícia de Kenosha passoun todas as perguntas para os investigadores estaduais.

Mas o episódio, o mais recente numa série de casos que expõe o tratamento da polícia aos cidadãos afro-americanos, provocou indignação em Kenosha, uma cidade de cerca de 100 mil pessoas à margem do Lago Michigan, localizada entre Chicago e Milwaukee.

O tiroteio acontece três meses após o assassinato de George Floyd em Mineápolis que provocou protestos por todo o país contra a brutalidade policial e o racismo.

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