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Exportação de produtos angolanos para os EUA "emperrada" pela não diversificação da economia e burocracia


Nina Maria Fite defende exportação de outros produtos

Quase 20 anos depois de terem promulgado a Lei do Crescimento e Oportunidade para África (Agoa), os Estados Unidos da América reforçam o desafio ao Governo angolano para exportações fora do sector petrolífero, quando a Câmara de Comércio e Indústria Angola-EUA alerta para um sistema financeiro pouco funcional.

O líder deste mecanismo de cooperação afirma que os esforços do Presidente João Lourenço esbarram na prestação dos seus colaboradores.

A administração norte-americana, que admite trabalhar para viabilizar o investimento de companhias do seu país em Angola, reforça o que há muito tem sido ouvido em círculos empresariais, agora de forma mais vincada por força da fome e do aumento do preço dos produtos da cesta básica.

A embaixadora americana, Nina Maria Fite, sublinha que a Agoa, um instrumento que proporciona incentivos fiscais, continua à espera dos angolanos, mas salienta que é preciso uma produção interna à altura.

‘’A maioria das exportações foi do petróleo, por isso gostaríamos de ver outros produtos, mas tem de ter quantidades porque o mercado americano é muito grande. Existem regras, vamos ver no futuro’’, salienta a diplomata americana.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Estados Unidos refere que o débil sistema financeiro, associado à não implementação da estratégia do Exim Bank, limitou a Agoa às aeronaves adquiridas à Boeing, com o petróleo como garantia, e às 100 locomotivas vindas da General Electric.

Pedro Godinho fala de burocracia nos governos provinciais e lamenta que a diplomacia económica de João Lourenço esteja muito aquém dos resultados esperados.

‘’Hoje em dia, para se fazer um pagamento que tenhamos fora é um ‘Deus nos acuda’. Tem de e esperar até 4 meses e mendigar todos os dias nos bancos. Mesmo que o Exim Bank se instalasse, mesmo que o promotor do projecto tenha os Kwanzas …’’, afirma Godinho, para quem “o sistema financeiro não paga esses dólares, aí as empresas entram em incumprimento.

O empresário lembra, portanto, que “o problema não é apenas a não diversificação da economia’’.

Com o programa de apoio ao crédito, aprovado recentemente, o Governo angolano espera acelerar o programa que visa incentivar a produção interna e diversificar as exportações, denominado Prodesi.

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