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Exército maliano detém Presidente, PM e ministro da Defesa e provoca condenação e receio de golpe


Bah Ndaw presidente de transição do Mali durante a sua tomada de posse em Bamako, Janeiro 2020

O Presidente Bah Ndaw, o primeiro-ministro, Moctar Ouane, e o ministro da Defesa, Souleymane Doucoure, levados para uma base militar em Kati

Oficiais militares no Mali detiveram o Presidente, o primeiro-ministro e ministro da Defesa do Governo interino aprofundando o caos político poucos meses após um golpe militar ter expulso o anterior Chefe de Estado, disseram à Reuters diversas fontes.

O Presidente Bah Ndaw, o primeiro-ministro Moctar Ouane e o ministro da Defesa, Souleymane Doucoure, foram todos levados para uma base militar em Kati, fora da capital Bamako, horas depois de dois membros das Forças Armadas terem perdido as suas posições numa remodelação governamental, disseram fontes diplomáticas e governamentais.

Este desenvolvimento pode exacerbar a instabilidade no país, onde grupos islamistas violentos ligados à Al-Qaeda e ao Estado islâmico controlam grandes áreas do desértico norte.

A instabilidade política e as lutas internas militares têm complicado os esforços das potências ocidentais e dos países vizinhos para apoiarem o país contribuindo para a insegurança regional.

A missão das Nações Unidas no Mali apelou à libertação "imediata e incondicional" do grupo e disse que aqueles que detêm os líderes teriam de responder pelas suas acções.

Uma delegação do principal órgão regional de tomada de decisões da CEDEAO visitará Bamako na terça-feira para ajudar a resolver a "tentativa de golpe", disseram a CEDEAO, a ONU, a União Africana, a União Europeia e vários países europeus numa declaração conjunta.

"A comunidade internacional rejeita antecipadamente qualquer acto imposto por coacção, incluindo as demissões forçadas", disse o grupo.

O Departamento de Estado dos EUA apelou, numa declaração, para a "libertação incondicional dos que se encontram actualmente detidos".

Ndaw e Ouane tinham sido encarregados de supervisionar uma transição de 18 meses para o regime civil após a tomada do poder em Agosto, mas parecem ter-se movido contra o controlo dos militares sobre um certo número de posições-chave.

O objectivo final dos militares não está para já claro. Um funcionário militar em Kati disse que não se tratava de uma detenção. "O que eles fizeram não é bom", disse a fonte, referindo-se à remodelação do gabinete. "Estamos a informá-los, decisões serão tomadas".

A base militar de Kati é notória por pôr fim ao domínio dos líderes malianos. Em Agosto passado, os militares levaram o Presidente Keita a Kati e forçaram-no a demitir-se. Um motim nesta base militar ajudou a derrubar o seu antecessor Amadou Toumani Toure em 2012.

O Mali tem estado em tumulto desde então. A partida de Toure desencadeou uma rebelião étnica tuaregue para tomar os dois terços do norte do país, que tinham sido tomados pelos jihadistas ligados à Al Qaeda-.

As forças francesas venceram os insurgentes em 2013, mas desde então reagruparam-se e realizam ataques regulares ao exército e a civis. E exportaram os seus métodos para os países vizinhos Burkina Faso e Níger, onde os ataques dispararam desde 2017.

Parecia haver algum motivo para optimismo. O governo de transição afirmou no mês passado que iria realizar eleições legislativas e presidenciais em Fev. 2022 para restaurar um governo democrático.

"É lamentável, mas não surpreendente: o acordo obtido após o golpe de Estado do ano passado não foi perfeito, mas foi um compromisso acordado por todos os principais intervenientes do Mali e internacionais", disse, à Reuters, J. Peter Pham, antigo enviado especial dos EUA para o Sahel, agora com o Conselho do Atlântico.

(Reuters)

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