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Estilhaços de róquetes da Tanzânia ferem 10 civis moçambicanos em Cabo Delgado


Deslocados em Cabo Delgado, Moçambique

A aldeia atingida acolhe milhares de deslocados que fugiram dos ataques de insurgentes mais a sul de Nangade

Um total de 10 civis moçambicanos ficaram gravemente feridos, no fim de semana, no distrito de Nangade, na província moçambicana de Cabo Delgado, após terem sido atingidos por estilhaços na explosão de vários róquetes lançados pelo exército tanzaniano, que supostamente visavam os insurgentes nas proximidades do rio Rovuma, disseram à VOA várias testemunhas nesta segunda-feira, 2.

Estilhaços de róquetes da Tanzânia ferem 10 civis moçambicanos em Cabo Delgado
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O exército tanzaniano vem lançando de forma aleatória fogo de armamento pesado na fronteira com Moçambique e dirigido ao país vizinho, desde a última semana de outubro, tendo duas explosões mais recentes atingido a aldeia de Mandimba, a cerca de oito quilómetros da vila de Nangade.

A aldeia atingida pelos roquetes acolhe milhares de deslocados que fugiram dos ataques de insurgentes mais a sul de Nangade, como os distritos de Palma e Mocímboa da Praia.

Testemunhos

“Desde a altura em que os insurgentes entraram em Kitaya (província tanzaniana de Ntwara), então a tropa tanzaniana está sempre a disparar róquetes, principalmente à noite para essa zona do rio Rovuma, todas as noites”, disse o morador Razak Ninte.

No sábado, 31, continuou aquele morador, cinco pessoas ficaram gravemente feridas com a explosão de um róquete na aldeia de Mandimba.

Outras cinco pessoas tinham sido atingidas por artefactos quinta-feira, 29 durante uma outra explosão.

“Uma parte dos feridos foi levada para o hospital distrital de Nangade e outros foram para os hospitais da Tanzânia porque estavam mais graves” contou Razak Ninte, que socorreu parte dos feridos para o hospital no dia da explosão.

Outro sobrevivente disse que os disparos do exército tanzaniano provocaram pânico nos moradores locais e forçaram muitos deslocados a deixarem a aldeia de Mandimba e a fixar-se na vila sede de Nangade.

“Não sabemos quais são as motivações, se é uma forma de afugentar os insurgentes ou é uma forma de se defenderem (de próximos ataques) ou ainda retaliação, não sabemos ao certo”, acrescentou à VOA Rassul Saide, adiantando que desde sábado não foram registados novos incidentes.

A VOA contactou o porta-voz da Polícia de Cabo Delgado, através do número habitual de comunicação com imprensa, mas sem sucesso.

Em meados de outubro, um grupo de insurgentes que actua em Cabo Delgado atacou a aldeia de Kitaya, no sul da Tanzânia, provocando a morte de 20 pessoas, incluindo um militar decapitado, na invasão de um acampamento do exército.

O ataque, reivindicado na altura pelo Estado Islâmico, foi confirmado pela Polícia da Tanzânia a 22 de outubro, tendo afirmado que um grupo de 300 jihadistas conduziram o ataque a aldeia na fronteira com Moçambique.

Novo ataque e raptos

Ainda segundo os relatos dos moradores, a aldeia de Lissulo, próximo à vila sede de Nangade, foi invadida por um grupo de insurgentes na quinta-feira, 29, tendo morto uma pessoa e ferido outras duas, que depois foram socorridas para o hospital rural de Mueda.

Durante o ataque, os insurgentes capturaram outras oito pessoas, incluindo uma mulher, que depois foram colocados em liberdade e retornaram a aldeia durante o fim de semana.

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