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Estado angolano "perde’’ seis milhões de dólares em infra-estrutura pesqueira paralisada em Benguela


Impasse em fase de recuperação de empresas em insolvência

Um investimento público de dois mil milhões de kwanzas no sector das pescas em Benguela, sem candidatos à exploração, está a ser equiparado a um ‘’elefante branco’’, adverso aos planos do Presidente João Lourenço, para empresas e o ambiente de negócios.

O impasse em relação à lota, um centro para comercialização de peixe, na vila da Baía Farta, pode ser aferido nas declarações de armadores contactados pela VOA.

A infra-estrutura, fruto de um investimento na ordem dos seis milhões e 200 mil dólares, está concluída há mais de dois anos, mas sem equipamentos.

É por aqui, segundo fonte da Administração Municipal, que surgem as reticências dos empresários que não se candidatam ao negócio, também pela crise de energia.

O presidente da Associação de Pescas de Benguela, Arnaldo Vasconcelos, que abordou os problemas do sector com o vice-presidente da República, Bornito de Sousa, numa recente visita à província, assume que ainda não tem ideias para a lota.

‘’Vamos estudar e ver a melhor forma de aproveitar a estrutura da lota. É um facto que não está a funcionar’’, explica Vasconcelos.

Pouco depois, a VOA procurou obter uma sugestão de Eugénio Alvarito, outro armador.

‘’Não tenho ideias, não sei. Sinceramente … não lhe consigo dizer’’, admite o empresário.

Sem ideias, por ora, está também o secretário de Estado das Pescas, Carlos Martinó, confrontado no termo da visita a uma vila com potencial para congelar em média acima de quinhentas toneladas de pescado por dia.

‘’A senhora ministra está a fazer um diagnóstico na província, a partir daí vamos ver. No final haverá uma reunião com o senhor governador. Há informações de que alguns empresários poderão explorar’’, acredita o antigo director das Pescas em Benguela.

A fonte da VOA adiantou que o empreendimento foi delineado sem qualquer parecer das autoridades do município e de potenciais exploradores.

Esta contrariedade acontece numa altura em que o Presidente João Lourenço dá primazia à finalização da proposta de lei sobre o regime jurídico de recuperação de empresas em insolvência, com efeitos no ambiente de negócios.

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