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Estado angolano não paga dívidas a empresas


Deputado denuncia subornos par se tentar obter os pagamentos e empresário revela ter despedido 300 trabalhadores

O não pagamento de dívidas públicas pelo Governo angolano está a forçar pequenas e médias empresas a encerrarem e a despedirem pessoal.

Isto ao mesmo tempo que há acusações que agora para se tentar obter o pagamento de dívidas do Estado é preciso pagar subornos.

Estado angolano não paga dívidas a companhias angolanas – 2:42
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Após a divulgação pela VOA da reportagem “Angola: Pequenas e médias empresas lutam para não fechar as portas”, vários empresários contactaram os nossos serviços para denunciar o não pagamento das dívidas que o Estado angolano tem para com as suas empresas.

Muitos deles, receando represálias, pediram o anonimato.

Alberto Daniel Catanganha, empresário que não recebe há varios anos, disse conhecer “tantos agentes económicos que encerraram as portas”.

“A dívida que o Estado tem para com a minha empresa vem desde 2012, paguei trabalhadores, fiz o trabalho e não recebo o que devia”, disse.

O empresário, que actua no ramo da construção civil, acrescentou que teve de dispensar mais de 300 funcionários.

“Nós actuamos na área da construção civil e tínhamos trabalhadores expatriados, chineses, nós pagamos salários aos trabalhadores chineses depois tivemos que os mandar ir embora porque não tivemos condições para suportá-los”, disse.

Lindo Bernardo Tito, jurista e deputado da oposição, diz que os estragos do não pagamento da dívida pública às empresas são visíveis e essa realidade "está a criar enormes dificuldades e a levar ao encerramento de várias empresas, com consequências visíveis uma das quais elevado número de desempregos que resulta deste encerramento das empresas”.

O parlamentar denunciou a existência de suborno no sistema de pagamento das dívidas internas.

“E quem não suborna não tem direito ao pagamento das suas dívidas e isso óbviamente está a ter consequências nefastas para a vida empresarial privada do nosso país”, afirmou Tito.

A VOA contactou Adebayo Emanuel João Vunge, director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério das Finanças para um comentário, mas não obteve qualquer resposta.

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