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Educação no Brasil é deficiente mas não é tema da campanha eleitoral

Brazilians will have the support of a brazilian spider man for the game their team will face against Germany, in Bello Horizonte, Brasil
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Apenas 7 por cento dos brasileiros acham que a educação é um problema grave no Brasil que,

Um dos grandes desafios do Brasil que vai às urnas nas eleições do dia 5 de Outubro é reconhecer a actual crise de baixa qualidade da educação no país. Na opinião de analistas, vários indicadores, nacionais e internacionais, mostram isso. A indústria também já ligou o alerta do apagão de mão-de-obra por falta de formação de qualidade, mas a população ainda não parece ter acordado para o problema.

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Prova disso é que apenas 7% dos brasileiros acham que a educação é um problema grave no Brasil que, afinal de contas, tem escola para todos. Sem a consciência de que essa escola existe, mas é deficitária, a crise no sector fica, de certa forma, camuflada.

Cláudio de Moura Castro economista, professor e pesquisador renomado em educação lembra ser preciso reconhecer o desafio que já ameaça o crescimento do Brasil. "Claramente, a má qualidade da educação é um obstáculo muito grande à produtividade. A produtividade não está aumentando, pelo contrário, teve ligeira queda. Com o baixo nível de educação esse processo está altamente comprometido", explica.

"A grande questão é transformar essa falta de qualidade em um problema político. Por quê? Porque os pais frequentaram uma escola pior ainda. Então, 70 ou 80% dos pais acham que a educação dos filhos é boa. Diante disso, não há a possibilidade política de fazer as coisas desagradáveis que é preciso fazer para melhorar. Então, o grande gargalo hoje é a percepção dos pais," completa.

Para o especialista, a crise de baixa qualidade no ensino é geral no Brasil, atinge o público e o privado. "Criou-se a ilusão de que nós tínhamos um público ruim e um privado bom. De facto, se comparado com o privado, ele é muito bom. Mas, quando a gente olha o resultado do privado, ou seja, meninos que não têm problema de nutrição, não têm problema económico, os resultados comparados com o resultado do PISA ainda são muito ruins. O nosso privado não é bom, só é bom se comparado com o público. Em termos absolutos, ele corresponde ao que aprendem europeus de classe operária", explicou.

O especialista acredita que a reversão desse quadro será resultado de um processo. "Não se trata de puxar a espada e dizer "independência ou morte", ou "agora ou nunca". O processo é de melhoria progressiva. Então, é necessário fazer com que os alunos estudem mais, fazer com que os professores sejam mais preparados, fazer com que os diretores cobrem resultados".

Apesar de muitos candidatos nestas eleições usarem a escola integral como bandeira política, o analista lembra que mais tempo dentro do ambiente escolar não vai resolver o problema. "Não melhora em nada o rendimento escolar. Por quê? Porque não há como aproveitar esse contra-turno para o menino aprender mais. São classes misturadas, níveis misturados, uma grande salada. O menino toca violão, joga futebol, come. É bom para crianças em risco, guardar esse menino no colégio é uma boa ideia. Mas do ponto de vista de melhorar a qualidade, não. O que melhora a qualidade é uma escola integral concebida para ser uma escola onde se aprende mais tempo português, mais tempo matemática, mais tempo ciências," conclui Castro.

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