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Eduardo Mondlane, um legado por cumprir


Eduardo Mondlane morreu há 50 anos

Vários sectores da sociedade, incluindo a oposição política, acusam o actual regime de promover a exclusão social, o que contraria aquilo que era o sonho de Eduardo Mondlane.

Em Moçambique, 50 anos depois da morte de Eduardo Mondlane, tido como arquitecto da unidade nacional, reina o sentimento de que este não é o país com que ele sonhou porque os seus ideais, em muitos casos, foram ignorados.

Eduardo Mondlane, um legado por cumprir
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Várias especulações têm sido feitas no sentido de que se Eduardo Mondlane estivesse vivo, situações como as que ocorrem actualmente em Moçambique, as dívidas ocultas, a corrupção, a exclusão social, entre outras, não haveriam de acontecer.

Os 50 anos da morte de Eduardo Mondlane foram assinalados no domingo, 3, em cerimónias em que, eventualmente, pela primeira vez, com muita força, houve uma preocupação muito grande em transmitir as várias facetas da vida de Mondlane.

Contudo, o analista Tomás Rondinho diz observar, com muita preocupação, o facto de o legado e os sonhos de Eduardo Mondlane de um Moçambique livre de corrupção não estarem a ser perseguidos, realçando que "em vez disso temos um país com dívidas contraídas sem a observância das leis".

"Acha que se Mondlane estivesse vivo haveria tanta corrupção como temos agora?", interrogou-se Tomás Rondinho, para quem "este não foi o sonho de Mondlane".

Vários sectores da sociedade, incluindo a oposição política, acusam o actual regime de promover a exclusão social, o que contraria aquilo que era o sonho de Eduardo Mondlane.

Para a professora e pesquisadora do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Teresa da Cruz, muito pouco foi feito, tomando em consideração quem foi esta figura, tida como exemplo sobretudo para os jovens.

Para aquela académica, nem todos os sonhos de Eduardo Mondlane foram perseguidos, sublinhando ser lamentável que as escolas moçambicanas e a própria UEM não tenham muito mais referências a Eduardo Mondlane.

Cruz e Silva realçou tratar-se de um problema de sensibilidade e de conhecimento sobre esta figura e não de falta de recursos financeiros, acrescentando que "Eduardo Mondlane está acima de qualquer partido e de qualquer condição, porque ele é reconhecido por todos os moçambicanos".

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