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Economistas angolanos duvidam de previsões de organizações internacionais


Australia Asia Economy

Especialistas indicam que os dados são das autoridades angolanas que não refectem a realidade

A reputada consultora internacional Fitch Solutions prevê uma recessão de 1,5% este ano, antes da economia angolana crescer 2,7% no próximo ano, o que é uma revisão em baixa de um crescimento de 1,7% este ano e de 3,3% em 2022.

Economistas angolanos duvidsosos quanto às previsões sobre a economica do país – 2:36
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Noutra perspectiva mais optimista, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) fazem uma previsão de crescimento ainda para este ano de pelo menos 0,4, contrário à estagnação prevista pelo executivo no seu Orçamento Geral do Estado.

Especialistas ouvidos pela VOA dizem não colocar muita fé nesses números porque os indicadores macro-económicos reais do país apontam para uma situação muito mais severa para economia angolana.

O professor de gestão e Finanças Públicas Eduardo Nkossi afirma não acreditar nas previsões da Fitch, muito menos nas do FMI.

Para aquele especialista, essas organizações internacionais baseiam as suas avaliações em dados que recebem das instituições financeiras angolanas e estas informações nunca reflectem a realidade do país.

"O país encontra-se numa situação de depressão económica já lá vão mais de cinco anos, a sua correcção leva tempo, os parâmetros que o país apresenta na realidade não permitem que se atinja os desafios que o FMI prevê em curto nem em médio prazo”, afirma, acrescentando que “o FMI quando faz as suas análises baseia-se sempre em informações do Instituto de Estatística de Angola (INE), do Ministério da Economia e do Banco Nacional só que os números destas instituições são mais políticos que técnicos”.

Visão similar tem outro economista José Sumbo quem diz não haver outra saída para a economia angolana se não apostar na prata da casa.

"Eu não conheço outra via como economista, se não atacarmos a sério na produção interna porque em nossa casa mandamos e decidimos nós”, defende.

“Do exterior podem vir alguns elementos indicadores mas não concordo que
estes indicadores internacionais sejam para implementarmos, não", acrescentou,

Outra leitura céptica em relação a estas previsões é a do economista Tomás Kambuete, especialista em gestão económica, para quem todas as previsões são feitas “baseadas em lobbies”.

“Serão sempre irreais e isto já vem desde o consulado de José Eduardo dos Santos, só que naquela era para além dos lobbies, havia outras formas de maquilhar uma certa prosperidade no país e neste consulado de João Lourenço esta maquilhagem não existe”, aponta Kambuete para quem “é impossível um investidor sério vir pôr aqui o seu dinheiro, sem garantia de estabilidade política".

Por seu lado, o especialista em finanças públicas Eduardo Nkossi afirma também não acreditar que os dados usados para as previsões sejam idóneos descrevendo-os como “meras propagandas”

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