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Director do Hospital de Malanje diz que bastonária não conhece Angola real


Em causa afirmações da bastonária da Ordem dos Médicos de Angola sobre enfermeiros

Os enfermeiros da província de Malanje não suspenderam na totalidade as actividades desenvolvidas nas unidades sanitárias da região, apesar de continuarem à espera de um pedido de desculpas da bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, que defende que eles não devem praticar actos médicos.

O director-geral do Hospital Municipal de Malanje, Ribeiro André José de Carvalho reage e diz que a bastonária não conhece a Angola real.

Enfermeiros em Malanje nao aderem ao boicote a receitas - 2:14
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No Centro de Saúde do bairro Ritondo, na capital, a primazia tem sido o atendimento nas consultas de Pediatria e a pacientes externos por não possuir espaço para o internamento.

A instituição tem apenas uma médica.

Entretanto, as afirmações da bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, feitas no Cunene semanas atrás continua a provocar reacções.

O director-geral do Hospital Municipal de Malanje, Ribeiro André José de Carvalho, antigo representante daquela ordem em Malanje, disse que bastonária desconhece a Angola real.

Segundo ele, 80 por cento da tarefa nos serviços de saúde é executada por enfermeiros.

"Enquanto médico, eu demarco-me, totalmente, dos pronunciamentos que a bastionária da Ordem dos Médicos proferiu porquanto entre o país real e o país ideal há uma grande distância", disse, reafirmando que "80 por cento da actividade assistencial em saúde é realizada por enfermeiros no mundo e o nosso país não está alheio a isso".

O restante dos serviços de saúde no mundo é dividido entre médicos, técnicos de laboratório, de diagnóstico e terapeutas.

"Então, não tenhamos a ilusão de dizer aquilo que foi dito pela bastonária porque. na verdade. se isso for concretizado a nossa população sofrerá e de que maneira”, alertou Carvalho, ressaltando que “quando se diz que há médicos em todos os municípios esses médicos estão nas sedes dos municípios".

"Mesmo assim o rácio postos médicos-médicos é bastante grande, ou seja, se formos ao município de Mucari, temos médicos na comuna-sede, mas não temos médicos, por exemplo, no Dala Quinguangua e lá nas aldeias longínquas. Quem está lá é o enfermeiro", lembrou,

Em Malanje, dezenas de postos de saúde estão fechados por falta de enfermeiros, enquanto a presença de um médico continua a ser um sonho das autoridades locais, apesar de ter há cerca de uma década uma Faculdade de Medicina.

Desde segunda-feira, os enfermeiros em várias províncias anunciaram que deixariam de prescrever receitas, dar consultas e assinar certidões de óbito, na sequência das afirmações de Elisa Gaspar, que defende que os enfermeiros não devem usar bata branca nem praticar aqueles actos.

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