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Deslocados dizem esperar paz com a morte do líder dissidente da Renamo


Crianças no campo de deslocados do Chibuto 2, Gondola, Manica, Moçambique

André Matsangaissa Júnior, ex-companheiro de Mariano Nhongo, diz que grupo não estrutura para continuar os ataques

Deslocados do conflito político-militar no centro de Moçambique reiteraram apelos para paz numa altura que aguardam que a região regresse à normalidade após a morte, em confrontos, do líder da dissidente autoproclamada Junta Militar da Renamo, a quem foram atribuídos ataques a várias aldeias e estradas.

Antigo companheiro de Mariano Nhongo, agora falecido, André Matsangaissa Júnior não acredita que o grupo tenha estruturas para continuar com os ataques.

Milhares de pessoas foram forçadas a deixar as residências e a fixar-se em campos de deslocados nas províncias de Manica e Sofala, para fugir das investidas do grupo dissidente do maior partido da oposição, que realizava emboscadas a viaturas nas principais estradas da região e atacava aldeias.

Os deslocados esperam que a morte de Mariano Nhongo, “devolva sossego” à região, ao mesmo tempo que lançam vigorosos apelos para que o Governo restabeleça um ambiente conciliador.

“Temos que alcançar a paz”, defende em declarações à VOA Fernando José, um deslocado no campo de Chibuto, distrito de Gondola, a região mais devastada pelo conflito, porque “temos vontade de trabalhar a terra, mas isso só vai acontecer se não haver novas contradições militares”.

Reacções à morte de Mariano Nhongo
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O deslocado que fugiu de um ataque numa aldeia de Pindanganga entende que a região já estava numa “situação caótica”, com investidas do grupo dissidente e confrontos entre esses e as Forças de Defesa e Segurança, daí esperar que o Governo garante que seja “estabelecido um ambiente saudável”.

Outro deslocado, Moisés Calitche, diz que várias pessoas já estavam a retomar timidamente às suas zonas de origem para a produção agrícola, após o cessar temporário dos ataques do grupo, e espera que o ambiente venha melhorar nos próximos dias.

“Estamos à espera que tudo passe, para o nosso bem-estar”, frisa Moisés Calitche, quem espera que o grupo não se reinvente para novas ameaças.

O fim da Junta?

Entretanto, o ex-integrante e o terceiro rosto mais visível da autoproclamada Junta Militar da Renamo, André Matsangaissa Júnior, vaticina que “não haverá ataques” da dimensão do comando de Mariano Nhongo, sustentando que “ele fazia ataques de reivindicação, e os ataques de reivindicação quando aconteciam eram para Mariano Nhongo sobreviver nas matas”.

“Quem ficava nas matas como presidente da (autoproclamada) Junta Militar da Renamo era Mariano Nhongo, se já o mataram, eu não vejo outro que pode vir amanhã estar por de trás desta guerra”, acrescenta.

O também sobrinho do fundador da Renamo, André Matsangaissa, assegura que “eu não vou sair de novo daqui a dizer que ainda preciso da guerra, não, não, eu despedi há seis meses atrás, eu agora estou dentro da paz”.

Ao lamentar a morte de Nhongo, André Matsangaissa Junior diz que o trava como “irmão e pai”.

E acrescenta ser “muito triste, porque ele é um moçambicano e tem direito à vida”.

O combatente que renunciou o grupo dissidente há seis meses para integrar o processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR), apesar de reconhecer as “incoerências do Governo” nas negociações de paz com o grupo dissidente, se predispôs a pacificar as relações entre o executive e elementos da autoproclamada Junta Militar, que tenham sobrevivido ao ataque.

A Policia da Republica de Moçambique (PRM) anunciou na segunda-feira, 11, que abateu Mariano Nhongo no inicio da manha numa mata de Cheringoma, província de Sofala, depois de este e outros terem disparado contra uma patrulha.

O corpo de Mariano Nhongo foi transladado para a morgue do Hospital distrital de Dondo, a cerca de 30 quilómetros da Beira, e deverá ser apresentada a jornalistas que se encontram acampados no local.

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