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Desemprego juvenil na contra-mão dos números apresentados pelo Governo moçambicano


Jovens no emprego informal, Nampula, Moçambique

Analistas apontam agricultura como sector a investir para combater o desemprego de jovens

O secretário de Estado da Juventude e Emprego de Moçambique, Osvaldo Petersburgo, disse recentemente terem sido criados cerca de um milhão de empregos, nos últimos cinco anos.

Alguns sectores da opinião pública colocam em causa os números apresentados pelo Governo de relativos à criação de postos de trabalho para jovens, afirmando que não se sente o impacto disso, sobretudo porque as áreas produtivas continuam negligenciadas,e muitos dos empregos são precários.

"Que empregos são esses, qual é o impacto disso para os jovens?" interroga-se a economista Inocência Mapisse, para quem a realidade mostra que o nível de desemprego está a aumentar, principalmente neste contexto em que várias empresas estão a fechar por causa da pandemia de Covid-19 e dos ataques armados em Cabo Delgado".

Aquela economista não sabe se a meta de criação de três milhões de empregos no presente quinquénio vai ser alcançada e anota um relatório do Standard Bank e do Instituto Nacional de Estatísticas "que mostra a deterioração do sector empresarial e o impacto disso no emprego".

Há quem assevere que o incremento do nível de desemprego resulta do facto de o Governo estar a negligenciar o sector da agricultura, que tem um enorme potencial em termos de criação de oportunidades de empregos para a juventude.

Contudo, Salomão Muchanga, da Nova Democracia, entende que não é apenas a agricultura, os outros sectores produtivos da sociedade também continuam negligenciados, "e são esses sectores que podiam proporcionar oportunidades para os jovens.

Muchanga realça que a agricultura é tida como a base de desenvolvimento, "mas o seu sentido orçamental está bastante diluido".

Para o jovem Policarpo Tamele, a agricultura é dos sectores que podem proporcionar empregos seguros e com dignidade para a juventude, "pelo que, no Orçamento do Estado, a verba destinada à agricultura deve, prioritariamente, ser alocada à juventude, para que se sinta motivada a envolver-se nesta actividade".

Entretanto, o ministro moçambicano da Agricultura, Celso Correia, assume que "sente-se que há poucos jovens a abraçarem a agricultura, e isso pode significar a falência do sistema produtivo, porque são eles que em tempos de crises, são chamados a abastecer o país".

O analista Tomás Rondinho entende, no entanto, que tudo passa pela existência de uma política da juventude credível e consensual, em que o emprego seja um dos aspectos fundamentais "porque essa é uma das formas de evitar problemas como criminalidade, tráfico de drogas, entre outros".

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