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Desafios eleitorais e “dívidas ocultas” influenciam mudanças no Governo de Nyusi, apontam analistas


Edifício da Presidência de Moçambique 

O desconforto do ministro Adriano Maleiane, por causa da forma como estavam a ser geridos alguns aspectos da governação, as dívidas ocultas e a necessidade de conferir uma outra dinâmica ao Governo, numa altura em que Moçambique se prepara para um ciclo eleitoral, podem ter forçado o Presidente Filipe Nyusi a fazer as mexidas no seu Executivo, dizem analistas.

Mexidas profundas foram feitas no Executivo moçambicano, sendo as saídas mais destacáveis as do Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, e do Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane.

Uma das explicações, dizem analistas, tem a ver com o facto de que, neste momento, todo o exercício governativo está a ser feito numa perspectiva eleitoralista, e o Governo tem que ser capaz de fazer face a esse exercício.

Na generalidade, os analistas concordam que as “dívidas ocultas” afectaram a imagem da Frelimo e do seu Presidente, Filipe Nyusi.

Cofres vazios

"É curioso que Nyusi faça estas mexidas numa altura em que muitas vozes defendem que ele seja ouvido no julgamento, em curso, do caso das dívidas ocultas; talvez seja uma forma de desviar a atenção da opinião pública, que agora vai passar a falar mais da exoneração de Carlos Agostinho do Rosário e de Adriano Maleiane, que eram figuras importantes no Governo, e não do seu alegado neste escândalo", considerou o jurista Ignésio Inácio.

Mas, para o jornalista Laurindos Macuácua, Adriano Maleiane, "mesmo durante o primeiro mandato do Presidente da República, Filipe Nyusi, quis sempre abandonar o barco, justamente, por ter encontrado vazios os cofres do Estado, além do papel que foi forçado a fazer, relativamente às dívidas ocultas".

Substituição

Fernando Mbanze, jornalista, diz também que em relação a Adriano Maleiane, nada tem a ver com alguma incompetência do ponto de vista de gestão, "porque ele é uma pessoa experimentada e que domina a área de economia e finanças.

"O problema, se calhar, tenha a ver com a forma como foram geridas as dívidas ocultas, sobretudo os pronunciamentos que Maleiane fez sobre esta questão, para além da sua idade que já não ajuda muito para gerir um Ministério de Economia e Finanças", realçou.

E a questão que muitas pessoas colocam é quem vai substituir Adriano Maleiane neste momento em que Moçambique está a negociar um plano de assistência financeira com o Fundo Monetário Internacional, sendo que o nome mais indicado é o de Max Tonela.

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