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27 de Maio: Enterro das vítimas revela muitas feridas


Angola Luanda 27 de Maio Nito Alves manifestação

Ulica Franco, filha única de Adelino António dos Santos, mais conhecido por Betinho, critica falha no processo de recolha de sangue para comprovar a identidade das ossadas

Familiares de algumas das vítimas dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 criticam o processo de entrega das ossadas em curso, com alguns a questionar a identidade dos restos mortais entregues.

Desde hoje, repousam no Cemitério Alto das Cruzes, os restos mortais de Alves Bernardo Baptista (Nito Alves), Jacob João Caetano (Monstro Imortal), Arsénio José Lourenço Mesquita (Sianouk) e Ilídio Ramalhete Gonçalves.

Enterro de vítimas do 27 de Maio revela muitas feridas por sarar – 4:14
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Ulica Franco, filha única de Adelino António dos Santos, mais conhecido por Betinho, voz principal do programa da Rádio Nacional de Angola, o famoso Kudibangela, conta à VOA como o processo de recolha de sangue aconteceu.

“O processo começa quando, enquanto a doutora Francisca Vandune era ministra da Justiça de Portugal, que fez um acordo com o Executivo angolano, para que os órgãos das vitimais do 27 de Maio pudessem ser feitos no Instituto de Medicina Legal… o estranho é que já no já local fomos confrontados por agentes do SIC e não médicos que pediam toda a colheita que fizemos”, disse Franco, que residente em Portugal.

Ela lembra que "infelizmente nunca tive crença que esse processo tivesse sucesso… não morreram só quatro pessoas morreram 30 mil… enterrar 4 pessoas é fazer gozo dos demais” concluiu.

Em Luanda, na manha desta segunda-feira, 13, no acto da homenagem em nome da família, o irmão de Ilídio Ramalhete Gonçalves, Manuel Rebelo Ramalhete, queixou-se do que chamou de discriminação na atribuição das patentes.

“Estou descontente pela discriminação que fizeram à nossa família, o meu irmão entrou na tropa em 1973, meu irmão não era analfabeto, como é que lhe dão o patente de capitão", questionou.

Atento ao processo o jurista e deputado Lindo Bernardo Tito diz existirem duas alas neste processo, o que que pode complicar ainda mais o processo da reconciliação.

“Há famílias que não entregaram o material do DNA porque o Executivo não aceita o médico-legista contratado por estas famílias e elas entendem que devia-se associar a Cruz Vermelha e as Nações Unidas, mas o Governo também não aceitou”, apontou.

As ossadas daquelas vítimas foram entregues às respectivas famílias no passado dia 8.

Em 2019, o Presidente angolano, João Lourenço, ordenou a criação de uma comissão para elaborar um plano geral de homenagem às vítimas dos conflitos políticos que ocorreram em Angola, entre 11 de novembro de 1975, ano da independência de Angola, e 4 de abril de 2002, data que simboliza o fim de décadas de guerra no país.

O Plano de Reconciliação em Memória às Vítima de Conflitos Políticos prevê, a construção de um memorial único para todas as vítimas dos conflitos políticos registados no país.

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