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Dívidas Ocultas: Segunda semana do julgamento destapa clivagens entre Guebuza e Nyusi


Bruno Langa, arguido no caso dívidas ocultas, Maputo, Moçambique

Semana também foi marcada por negações e estratégia de silêncio

Terminou nesta sexta-feira, 3, a segunda semana de uma longa jornada do julgamento do caso "dúvidas ocultas" que lesou o Estado moçambicano em cerca de 2,2 mil milhões de dólares, com a audição de quatro arguidos, acusados de serem estrategas do projecto da protecção da Zona Económica Exclusiva (ZEE).

Ndambi Guebuza e Bruno Langa, dois amigos de infância e dos mais novos dos 19 arguidos (44 anos de idade), desfilaram no tribunal com estratégias de negação e recusaram-se a responder à generalidade das perguntas colocadas para esclarecer o caso.

O julgamento em curso, que em princípio só deverá terminar em Novembro, é acompanhado de forma atenta no país e analistas trazem diversas perspectivas sobre o seu significado.

O jornalista Fernando Lima salienta que o processo reflecte, em parte, as clivagens entre o antigo Presidente, Armando Guebuza, e o actual, Filipe Nyusi, ambos, recorrentemente citados por alguns arguidos.

“Este julgamento reflecte uma clivagem entre entre o anterior governo liderado pelo Presidente (Armando) Guebuza e o actual, liderado por Filipe Nyusi”, avaliou Lima, afastando, contudo, que isso reflicta, necessariamente, uma guerra de poderes.

“Que isso reflecte uma guerra de poderes, não”, frisou, em entrevista ao canal televisivo TV Sucesso.

Pelo mesmo diapasão alinha o jurista Elísio de Sousa, apontando, contudo, que o recurso a essa guerra como estratégia de defesa, tal como parece ser a aposta de alguns causídicos, é um caminho errado.

“Em parte, pode haver uma situação de conflito de poderes, o poder anterior e o poder actual. O problema é que esse tipo de conflito de poderes, não pode saltar à vista, não pode ser um meio de defesa em processo judicial, porque, como advogado, sinto que, quando se usa este tipo de estratégias, de puxar o processo para um âmbito político, numa estratégia de emoção, muitas vezes pode correr mal”, afirmou Sousa.

Culto da riqueza

O deputado da Renamo Venâncio Mondlane, que tem acompanhado atentamente o processo, considera que o julgamento em curso, destapa a nu, uma situação preocupante da juventude nascida no “berço de ouro”, sobretudo, aquela que tem conexões familiares com a nomenklatura nacional.

“Eu penso que este julgamento nos dá uma pequena lição, sobretudo esses dois últimos réus que foram aqui julgados (Ndambi Guebuza e Bruno Tandane Langa), sobre o tipo de padrão que esta sociedade está a formar", avaliou o parlamentar.

Refira-se que Ndambi Guebuza e Bruno Langa confirmaram ter recebido, 33 milhões de dólares e 8,5 milhões, respectivamente, valores que foram gastos, pelo menos em grande parte, para compra de apartamentos, viagens de lazer, viaturas de luxo, entre outros bens.

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