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Dívidas ocultas: Ex-secretária de Guebuza refuta ter sido corrompida, mas recebeu dinheiro de Boustany


Arguidos, Caso "Dívidas Ocultas", Maputo, Moçambique

Inês Moiane confirma ter recebido 877.500 euros do negociador da Privinvest em troca de um terreno para construção, que nunca passou de intenções

A antiga secretária pessoal do ex-Presidente moçambicano Armando Guebueza refutou ter sido corrompida por Jean Boustany, negociador da empresa naval Prinvivest, mas confirmou ter recebido 877.500 mil euros daquele cidadão libanês, alegamente para um projecto imobiliário num terreno por ela cedido.

Ao responder no julgamento que decorre desde o dia 23 em Maputo, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas que lesou o Estado moçambicano em cerca de 2.2 milhões de dólares, Inês Moiane foi peremptória ao dizer "Eu não fui subornada".

Ela explicou que recebeu, sem dizer por quê, do Conselho Municipal de Maputo, entre 2010 e 2011, um terreno que considerou propício para a construção de “grandes apartamentos e/ou hotéis de até 33 andares”, mas que sem capacidade para investir, procurou Jean Boustany.

"Ele disse: ´Nós queremos fazer hotéis em Moçambique`", continuou Moiane, que se encontrou com Boustany várias vezes nos encontros que ele manteve com o então Presidente Armando Guebuza sobre o projecto de proteção da Zona Económica Exclusiva.

Confrontada pelo juiz com o facto do pagamento ter sido através de uma empresa do sector imobiliário de Sércio Namburete, também arguido, Inês Moiane justificou esse movimento com uma “exigência de Jean Boustany de que o desembolso tinha que ser feito através de uma firma”.

Quanto ao projecto de construção no terreno alegadamente cedido por ela a Boustany, a antiga secretária de Guebuza afirmou desconhecer.

Ela ainda confirmou ter comprado dois imóveis, sendo um no nome dela e outro no da filha.

Moiane e mais 18 arguidos, entre eles Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente, são acusados pelo Ministério Público dos crimes de associação para delinquir, tráfico de influência, corrupção passiva para acto ilícito, branqueamento de capitais, peculato, abuso de cargo ou função e falsificação de documentos.

O julgamento está previsto para decorrer até Dezembro.

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