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Crise de papel deixa jornais privados na gráfica em Angola


Falta de matéria-prima agita o mercado da comunicação social

O jornal ‘’O País’’, único diário privado em Angola, não é impresso há mais de duas semanas por falta de papel, uma matéria-prima que continuará a preocupar a imprensa nos próximos oito anos, período estipulado para a nova companhia de celulose e papel.

Diario angolano nãopublica por falta de papel - 1:27
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Este problema, vigente na Damer que é tida como a mais moderna gráfica do país, faz soar os alarmes, com vozes do sector fixadas nos altos custos de produção devido à importação do papel, reflectidos no preço do jornal.

Num editorial intitulado ‘’O nosso papel’’, na internet, o director do jornal, José Kaliengue, escreve que a ausência da edição física, associada a questões burocráticas, inquieta governantes, deputados, empresários, activistas e tantos outros cidadãos de um país que talvez possua ainda o segundo maior eucaliptal do mundo.

Bem mais preocupado anda o jornalista Mariano Brás, director do ‘’O Crime’’, embora a publicar numa gráfica diferente.

‘’Até onde eu sei, os donos daquela gráfica (Damer) são indivíduos do Governo, certamente com mais facilidades na importação de papel. Isto significa que o problema pode afectar as outras, onde nos encontramos. É uma chamada de atenção, neste caso, para o Ministério da Comunicação Social, a entidade a quem pedimos, não apoio financeiro, mas incentivos como a facilidade na aquisição e até mesmo em matéria de regulação de preços’’, salienta Brás.

Aquele responsável alerta para o que chama de investimentos irreais, na mira do combate à corrupção, e lamenta que um cidadão tenha de desembolsar 1.500 kwanzas por um exemplar.

‘’É o que se diz na gíria – ‘as torneiras estão a fechar’ – e surgem dificuldades. As outras gráficas, apesar das dificuldades, continuam aí, porque são resultado de um financiamento real. Existem outras, onde incluímos a que se encontra em dificuldades, cujos proprietários estão a ser apertados no âmbito do combate à corrupção, já não têm muito para dar’’, comenta Brás.

A ministra da Indústria, Bernarda Martins, anunciou recentemente a construção de uma nova companhia de celulose e papel, provavelmente em Benguela, onde se encontra a fábrica paralisada há mais de trinta anos.

Mas será dentro de oito anos.

‘’Estamos a vir do Huambo, onde já há grandes plantações, que ajudam a totalizar dois mil hectares, mas muito aquém do que é necessário. Precisamos de 200 mil hectares de eucalipto e também algum pinho’’, revela a governante.

Entretanto, a VOA apurou que a ‘’Estrela da Floresta’’, empresa participada pelo Fundo Soberano, deverá perder o monopólio na exploração e replantação da matéria-prima para o papel, para a satisfação do madeireiro Francisco Pedro, excluído do negócio por força de um decreto presidencial de 2015.

‘’Vemos que em oito anos não se conseguirá um mínimo necessário para que seja viável a existência de uma fábrica de papel. Devíamos interagir mais, de modo a que a replantação não fique com uma ou outra empresa. Até agora, por exemplo no Sanguengue, foram replantados 75 hectares, com o projecto em andamento há mais de dois anos. Quer dizer que estamos a replantar menos que 200 hectares. Quanto tempo vamos precisar, tendo em conta o padrão internacional?’’ questiona Pedro.

Não se sabe se a fábrica de papel será um investimento público, o que é pouco provável porque o Estado está a sair de empresas onde tenha participação ou seja proprietário, privado ou capital misto.

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