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Covid-19: Situação de Calamidade em Cabo Verde


Hospital Central Dr. Agostinho Neto, Praia, Cabo Verde

Depois de um aumento exponencial de casos em Abril no mês da campanha para as Legislativas, Governo anuncia medidas duras e maior fiscalização

O Governo de Cabo Verde decretou situação de calamidade durante os próximos 30 dias para fazer frente ao aumento exponencial de casos da Covid-19 durante o mês de Abril.

Este aumento coincide com o período eleitoral, cuja campanha para as eleições legislativas do passado dia 18 de Abril começou precisamente no dia 1.

Ao fazer o anúncio, nesta sexta-feira, 30, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, voltou a falar em “sentido da responsabilidade cidadã”, ao se referir a festas privadas, sem, no entanto, fazer menção à campanha eleitoral, apontada por vários sectores da sociedade civil como a principal causa para esse aumento.

Os números indicam que, de Março de 2020 a Março deste ano, a média mensal de casos foi de 1.456, com um total de 17.470 casos acumulados naquele período, enquanto entre 1 e 29 Abril foram registadas 6.084 infecções.

Até ontem, havia um total acumulado de 23.554 casos e as vítimas mortais ascendiam a 213.

Entretanto, em conferência de imprensa para anunciar as novas medidas, hoje, o ministro da Administração Interna reconheceu que houve "excesso e relaxamento".

"Obviamente que a responsabilidade é de todos, não é apenas do Governo nesta altura, que é a quem cabe a obrigação de governar o país e de criar as condições para que a pandemia não se alastre", afirmou Paulo Rocha, para quem "são inúmeros os factores que concorrem para o aumento de casos" e que "não vamos chegar à conclusão linear de que são as campanhas".

As medidas

Antes, Ulisses Correia e Silva afirmou que medidas mais duras apontariam para o estado de emergência, mas que teria “impactos muito graves, principalmente na economia” e justificou a situação de calamidade “com o crescimento de casos de modo a evitar situações mais graves”.

Entre as medidas, estão a proibição de actividades colectivas de desporto, de lazer e de diversão, a proibição de actividades públicas, artísticas e culturais, quando realizadas em condições que ultrapassem a lotação máxima de 150 pessoas, e o encerramento de espaços utilizados para dança, nomeadamente discotecas, clubes, pub dancing e salões ou nos locais onde se realizem festas.

Passam a estar proibidas também festas de natureza pública e privada, embora haja excepção para as chamadas “festas intrafamiliares”.

As celebrações do Dia do Município nos diversos concelhos devem restringir-se ao acto solene ou a actividades que não sejam susceptíveis de promover a aglomeração de pessoas e, para amanhã, Dia Internacional do Trabalhador, também estão proibidas actividades com aglomeração, como é tradicional.

Quanto aos horários de funcionamento dos estabelecimentos de consumo de bebidas alcoólicas, nomeadamente, bares e esplanadas, eles poderão funcionar até às 21 horas, enquanto os estabelecimentos comerciais, com excepção de farmácias e padarias, funcionam normalmente até às 20h30.

A ilha Brava, a menor do país e que não tem casos da doença, não está sob a situação de calamidade.

O Governo também anunciou o reforço da fiscalização, apontada por vários sectores como uma das grandes falhas do combate à pandemia.

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