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COVID-19: Estado de emergência deixa barcos em guerra em Benguela e Namibe


Barcos em terra, Benguela

O estado de emergência retirou do alto mar, sobretudo em Benguela, dezenas de embarcações artesanais e uma semi-industrial, enquanto outras continuam em atividade, remando contra um dos piores momentos da pesca em Angola.

Realidades à vista nas províncias de Benguela e do Namibe, os principais centros de distribuição de peixe no país, refletem o que um jurista chama de má interpretação do decreto presidencial imposto pela covid-19.

Já em terra, no maior mercado do peixe em Benguela, o da praia das «Tombas», Celestino e Emanuel, pescadores artesanais, anteveem momentos bem mais complicados nos próximos dias.

‘’Esses que estão a vir esta semana ouviram que a situação está difícil, e muitos chegaram na segunda-feira. Assim, com este problema do vírus, a situação vai piorar ainda mais, até porque os preços da sardinha, do cachuchu e da garoupa já estão a aumentar’’, explica um dos homens do mar.

Do Namibe, província com centenas de despedimentos nos subsistemas industrial e semi-industrial, surge uma realidade diferente.

‘’O que se aconselha é não aproximarem-se de navios … grandes embarcações aí no mar, é para evitar contágio. De resto, estamos a pescar, embora a pesca esteja fraca, o produto (peixe) desapareceu’’, explica o armador e presidente da Associação de Pesca Artesanal, José Vata.

O jurista Chipilica Eduardo critica o que considera ser falta de preparação do departamento ministerial afim, mas sublinha que há tempo para correcções.

‘’É uma atividade essencial para a subsistência dos populares e dos próprios trabalhadores. Não vemos razões para qualquer impedimento, cabia ao Ministério das Pescas criar condições de biossegurança para os armadores’’, sublinha o jurista.

Pouco antes da entrada em vigor do decreto que impõe estado de emergência, já o assessor presidencial para a área produtiva, Isaac dos Anjos, no termo de visitas a Benguela e ao Namibe, alertava para os caprichos da natureza num momento crítico para o país.

‘’O que é líquido é que o recurso é limitado, a natureza só dá o que pode dar. Se assim é, temos de preservar, explorar com sustentabilidade’’, indicava o anterior governador de Benguela.

Nos últimos 30 anos, segundo conhecedores do sector, Angola viu baixar os níveis de captura na ordem das 400 mil toneladas anuais, muito por conta de falta de rigor nas medidas de gestão dos recursos.

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