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COVID-19: Consórcio de meios de comunicação tenta minar apagão informativo do Governo brasileiro


Hospital Gilberto Novaes em Manaus, Brazil

Um grupo dos principais meios de comunicação do Brasil criou um consórcio para divulgar diariamente dados do novo coronavírus, depois de o Governo ter mudado a forma e o conteúdo de apresentar os números diariamente.

O Ministério da Saúde passou a apresentar um balanço que reduz a quantidade e a qualidade dos dados e suspendeu a conferência de imprensa com perguntas aos técnicos.

Aliás, desde que o general Eduardo Pazuello foi indicado como ministro interino da Saúde, ele suspendeu o contato com a imprensa e substituiu cerca de 20 técnicos de saúde por militares.

O portal do Ministério não apresenta agora os números consolidados e o historial da doença desde o começo e eliminou os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão a curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiologica, casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica, mortes por data de notificação e por semana epidemiológica e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

A alteração foi criticada por todos os setores, da justiça à imprensa, dos governos dos estados aos especialistas de saúde.

O Congresso, através dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, anunciou a iniciativa de criar um mecanismo com dados das secretarias de Saúde dos estados em paralelo ao novo sistema do Executivo.

Consórcio de imprensa

Fontes citadas pela imprensa falam numa tentativa de esconder dados com objetivos escusos, mum autêntico apagão informativo em matéria tão sensível como a saúde.

O consórcio de meios de comunicação é integrado pelos portais e G1 e UOL e os jornais O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo e vai apresentar um balanço diário às 20 horas.

Na semana passada, o Presidente Jair Bolsonaro anunciou a suspensão das informações, dizendo que “acabou matéria no Jornal Nacional”, em referência do principal jornal da televisão brasileiro, a TV Globo.

"A missão do jornalismo é informar, em que pese a disputa natural entre veículos, o momento de pandemia exige um esforço para que os brasileiros tenham o número mais correto de infectados e óbitos”, afirmou Ali Kamel, diretor-geral de notícias da Globo, acrescentando que “neste momento crucial, deixamos nossa concorrência de lado por um bem comum: levar à sociedade o dado mais preciso possível sobre a pandemia”.

João Caminoto, diretor de notícias do Grupo Estado, acrescentou “ser triste ter que produzir esse levantamento para substituir uma omissão das autoridades federais, mas a transparência e a honestidade deveriam ser valores inabaláveis na gestão dessa pandemia”.

Dados diferentes

Nesta segunda-feira, 8, o Ministério da Saúde revelou que o país registou 679 novos óbitos e 15.654 novos casos, somando 37.134 mortes e 707.412 casos desde o começo da pandemia.

Entretanto, o consórcio dos meios de comunicação apresentou outros números e revelou que foram registadas 849 novas mortes, enquanto os casos ascenderam a 710.887.

O Brasil é o segundo país com mais casos e o terceiro em número de mortos.

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