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Conheça Marliatu Djaló Condé, a nova responsável pelo trabalho em prol do abandono da mutilação genital feminina na Guiné-Bissau


Marliatu Djaló Condé, presidente do CNAPN

Um semana antes da eleição para presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança (CNAPN), Marliatu Djaló Condé, não tinha ideia de que concorreria ao cargo e muito menos que seria escolhida para liderar uma entidade do Governo.

Embora aparentemente tudo tenha acontecido muito rápido, a escolha de Djaló Condé não foi por acaso. Foi em 2015 que ela começou a estagiar no CNAPN, ano em que também concluiu a licenciatura em economia pela Universidade Lusófona da Guiné-Bissau. Três meses depois passou num concurso e desde 2016 desempenhava a função de assistente administrativa e financeira no comité. Em 2019 ingressou na ONG Sinim-Mira Na-SIQUE.

Foi a Sinim-Mira Na-SIQUE que a escolheu para encabeçar a "lista A" e no dia 5 de agosto, com 16 votos a favor e 12 contra, Djaló Condé derrotou sua adversária, Fatumata Baldé. Marliatu Djaló Condé asssumiu a liderança do CNAPN no dia 1 de setembro, mandato que tem duração cinco anos.

Foto tirada com a equipa para oficializar a troca de função no dia 1 de setembro de 2021
Foto tirada com a equipa para oficializar a troca de função no dia 1 de setembro de 2021

Em entrevista à Voz da América, ela comentou a eficácia da lei que proíbe a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau; os desafios que enfrentará nos próximos anos para diminuir uma série de práticas tradicionais nefastas que prejudicam a vida das jovens guineenses; a falta de apoio físico e mental para as meninas que são mutiladas no país.

"Eu me identifico muito com as lutas do comité porque eu sou da comunidade praticante. Eu fui vítima da mutilação genital feminina e sinto que é responsabilidade minha proteger a geração vindoura," contou.

Djaló Condé afirmou que está preparada para conversar, sensibilizar e ser o rosto da campanha para o abandono da mutilação genital feminina na Guiné-Bissau.

"Eu fui vítima da mutilação genital feminina e sinto que é responsabilidade minha proteger a geração vindoura," Marliatu Djaló Condé
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Lei que proíbe a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau

Já se passaram mais de dez anos da aprovação da lei que proíbe a mutilação genital feminina no país e Djaló Condé explicou que a lei funciona. "Existe já alguns casos que foram julgados e condenados,... se o ato for cometido em uma pessoa adulta, a pena é de dois a seis anos; se a mutilação genital feminina for feita em uma criança, a pena é de três a nove anos". No entanto, ela advertiu que há falhas e que algumas pessoas continuam encontrando mecanismos para contornar a lei. "A nossa luta é de sensibilizar as pessoas. As pessoas precisam estar conscientes do que estão a fazer e saber que o que elas estão fazendo não é bom para a saúde da pessoa que está sendo submetida a esta prática".

Segundo a presidente do CNAPN, a prática de mutilação genital mais popular no país é aquela que remove o clitóris parcialmente ou totalmente. Não há nenhum apoio mental ou físico às meninas que são submetidas a esta violação dos direitos humanos.

Outras práticas tradicionais nefastas que também precisam ser combatidas na Guiné-Bissau

Além de trabalhar para o abadono da mutilaçãoo genital, Marliatu Djaló Condé mencionou que o seu comité também trabalha para combater os casamentos infantis, os casamentos forçados, a falta de escolarização das raparigas, o tráfico de crianças, o trabalho infantil, a violênica doméstica, ou seja tudo que viola os direitos e a integridade física e moral das meninas e mulheres.

Parcerias

Embora haja uma parceria do CNAPN com o UNICEF e com a ONG portuguesa P&D FACTOR, Djaló Condé explicou que não é suficiente e que ela gostaria de encontrar mais parceiros para intensificar o trabalho de sensibilização que precisa ser feito na Guiné-Bissau.

Sobre a parceria com o Governo, ela descreveu a participação como indireta e restrita a um financiamento. Marliatu Djaló Condé gostaria de ver a participação com o Governo aumentar nos próximos anos, principalmente quando o assunto é ter acesso ao mínimo para poder desempenhar a função que o comité tem na sociedade.

A presidente do CNAPN gostaria que nos próximos anos o Governo ajudasse com o fundo de maneio, uma sede própria para o comité e com a inscrição dos funcionários do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas na função pública.

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