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Comunidades rurais veem pobreza desafiar políticas do Governo angolano


Produtos agrícolas, Benguela, Angola

ADRA promove encontro nacional das comundades rurais

A três semanas do encontro nacional das comunidades rurais em Angola, uma iniciativa da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), sinais de aumento da pobreza indicam que centenas de famílias continuam a deixar zonas do interior à procura de sobrevivência, prevalecendo o cenário de deslocados por força da seca que afectou vários pontos do país.

Em Benguela, província que realizou na última semana o 23o encontro provincial, antecâmara do evento que vai juntar as 18 províncias, está a ser criticada a prestação das autoridades no incentivo à produção nacional em fase de carência alimentar.

Burocracia na hora da legalização de cooperativas agropecuárias, com custos longe da capacidade das comunidades rurais, e dificuldades no acesso à terra são entraves que suscitam críticas de quem não vê luz ao fundo do túnel.

António Cachilingo, em representação das comunidades da província de Benguela, considera que estes problemas devem chegar às estruturas centrais, uma vez que a fuga de famílias é um problema de Angola.

“Eu estou no Dombe Grande (Baía Farta), todos os dias recebemos pessoas do Cubal, Ganda, Chongoroi ... à procura de emprego. Mas não encontram, às vezes nem se alimentam”, aponta o líder comunitário, acrescentando que “o programa de combate à fome não tem resultados, há problemas de acesso à terra e legalizar associação fica caro”.

Estes e outros problemas foram apontados também pela directora da ADRA- Antena de Benguela, Célia Sampaio, ao sublinhar que as famílias não têm acesso às políticas do Executivo no domínio da agricultura.

“Ainda é difícil legalizar as cooperativas, e esta é uma condição para que se tenha acesso aos incentivos. É necessário dialogar, partilhar a experiência das diferentes comunidades, ver como é que cada uma resolve os seus problemas”, reforça a directora.

Em nome do Governo Provincial de Benguela, o director da Agricultura e Pescas, Pedro Gomes, reconheceu o empenho da organização não governamental na defesa de uma causa social.

“ É um parceiro privilegiado do Governo tendo em conta as suas acções alinhadas com as políticas de desenvolvimento local, visando a redução da fome, pobreza e promoção da cidadania”, refere o dirigente.

O encontro nacional das comunidades rurais realiza-se em finais deste mês na província da Huíla.

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