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Como as línguas nacionais influem no português falado em Angola


Foto de arquivo

Linguístas defendem necessidade de mais literatura nas línguas nacionais e falam da "ditadura do mercado livreiro"

Para os especialistas, apesar das línguas angolanas serem faladas em zonas restritas elas são vivas e bem faladas daí que se deve fazer um esforço para se preservar a par das iniciativas das autoridades neste sentido.

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As marcas linguísticas tes no português falado no país são provas mais do que evidentes de que Angola não precisa discutir mais se pode ou não considerar “uma variante do português angolano” o que se fala no território nacional.

Para o linguista e professor universitário, Mbiavanga Fernando, basta que se olhe para os textos literários de produção nacional, onde estão fortemente presentes as marcas da angolanidade para fácilmente aferir que até a nível da literatura existem marcas muito peculiares da cultura angolana na articulação da língua portuguesa.

“Hoje, mais do que nunca já não constitui ponto de discussão se temos ou não a variante do português angolano. Bastava olhar para um texto de um autor angolano, pafra seperceber que nós temos as nossas marcas próprias do nosso português”, disse o académico para quem existem dados socio-linguísticos sobre o assunto.

“Resta-nos apenas tomarmos a coragem e tratarmos das questões técnicas deste português e quando os escritores escrevem, escrevem no português de Angola, não escrevem no português de Portugal nem do Brasil”, frisou.

Sobre a valorização das línguas africanas de Angola, o escritor e docente universitário António Quino apela para criação de um campo de comunicação para não as tornar línguas mortas.

No âmbito das políticas linguísticas do Governo angolano, pretende-se instituir o ensino em línguas nacionais no subsistema normal de educação, um projecto mais desafiador que o que foi feito a nível do ensino superior: instituição do ensino das línguas angolanas em alguns cursos.

O linguista Mbiavanga Fernando entende que a inserção das línguas nacionais nas escolas só será um sucesso se tiver o concurso dos escritores africanos na produção dos textos a serem lidos nas escolas.

“Aí compreenderemos melhor a dinâmica das nossas sociedades que compõem os nossos países. Temos o português, que é a língua oficial, mas há esta necessidade”, disse.

Mbiavanga esclarece que a responsabilidade de ajudar a manter as línguas africanas vivas é também dos escritores.e defende o docente universitário que a não existência de produção literária concorre para a morte da língua.

António Quino fala em ditadura do mercado livreiro que nem sempre permite a liberdade criativa na perspectiva da produção literária em línguas locais de Angola.

“Nós temos quem olhar a língua portuguesa na contemporaneidade como uma língua de todos. A língua portuguesa é um conglomerado de significados que o torna mais rica por isso”, disse.

A produção literária para valorização da variante do português falado em Angola depende da forma como os autores trabalham a língua. O escritor e docente universitário, António Quino, fala da transversalidade cultural que remete cada escritor para os limites das suas fronteiras geográficas.

“Numa mesma família linguística nós vamos encontrar termos que se afastam e da mesma forma termos que se aproxima, do ponto de vista da literatura comparada que nos traz para reflexão a transversalidade cultural”, disse o académico que junta ao seu argumento o conceito de invariância.

“A invariância no campo da literatura comprada caba por ser um princípio epistemológico muito importante, porque vai nos transmitir a ideia da invariância local, quando nos referimos ao nacional e a ideia de invariância global quando nos referimos ao universal”, afirmou

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