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Comandante-geral da polícia acusa Hanekom de ligação a ugandeses nos ataques em Moçambique


Andre Hanekom morreu sob custódia policial

O Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, disse na segunda-feira, 4, na cidade de Nampula, que todos aqueles que forem capturados em acções de desestabilização na vizinha província de Cabo Delgado serão, publicamente, apresentados para que os moçambicanos os conheçam e possam identificá-los em caso de necessidade.

“Apresentamos, recentemente, aqui mesmo em Nampula, três malfeitores ugandeses, um deles Abdul Rahimin Faizal é o segundo líder dos que actuam em Cabo Delgado e estamos à procura para neutralizar Abdul Aziz, o seu adjunto. Há dias apresentamos outros, que continuam a matar naqueles distritos. São eles Ussene Juma, Amani Idrisse, Domingos e Xavier”, acrescentou Rafael, ao falar numa parada na presença de directores dos departamentos, comandantes distritais e de esquadras.

Aquele responsável, citado pelo jornal público Notícias, acusou os ugandeses de colaborarem com “um tal Ibn Omar, por nós já referenciado, que é operacional, que dirige no terreno”, que, segundo Bernardino Rafael, “fala, transfere dinheiro para comprar esses instrumentos e também tinha ligações com o sul-africano falecido”, numa referência ao empresário André Hanekom.

Hanekom, que morreu no Hospital de Pemba, em Cabo Delgado enquanto estava sob custódia da polícia, “encomendava farinha da África do Sul, metia munições e explosivos caseiros e passavam aqui em Nampula”, acusou Rafael.

"Encontramos isso num carro de uma transportadora”, revelou o comandante-geral, que advertiu para o facto de "os ugandeses serem perigosíssimos".

“A missão deles era receber os recrutados nos distritos de Memba e noutros costeiros de Nampula e potenciar os ataques às comunidades em Cabo Delgado. Eles compram facas, catanas, machados, que os criminosos usam para esquartejar moçambicanos inocentes, davam instruções de como usar os instrumentos”, garantiu.

Bernardino Rafael acusou ainda os ugandeses de querem “perturbar a ordem, abrir brechas para que a nossa economia retarde”.

“Fala-se em alguns círculos internacionais, mas nós não temos qualquer informação de que precisam destes capturados. Isso caberá à justiça. Os actos processuais estão em curso. Nós, a Polícia já fizemos a nossa parte”, concluiu Rafael.

Cerca de 160 pessoas estão a ser julgadas no Tribunal de Pemba pelo seu suposto envolvimento nos ataques que desde Outubro de 2017 que deixaram mais de 150 mortos, centenas de casas destruídas e dezenas de refugiados.

Organizações de defesa de direitos humanos têm acusado as autoridades moçambicanas de violarem direitos humanos nos combates aos ataques e, no caso do empresário sul-africano Andre Hanekom, pedem uma investigação independente à sua morte.

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