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Com críticas da esquerda e da direita Congresso aprova quase dois triliões de dólares de combate à COVID-19


Congresso dos Estados Unidos

Pacote de ajuda financeira visto como “grande vitória” legislativa para Joe Biden

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deverá votar nesta terça-feira, 9, a versão final do projecto de lei de ajuda financeira de combate à Covid-19 avaliado em um trilião e 900 mil milhões de dólares.

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Tal como acontece com as leis americanas, houve uma versão original elaborada pela Câmara dos Representantes enviada ao Senado que depois discutiu, emendou e aprovou um novo projecto de lei agora enviado outra vez à Câmara para aprovação e que depois será enviada ao Presidente Joe Biden para aprovação final.

Como em todos estes processos, e tendo em conta as profundas divisões partidárias e dentro dos próprios partidos, este foi um processo que envolveu compromissos, o que não agrada a todos, quer da esquerda quer da direita.

As críticas da esquerda

Na esquerda, por exemplo, muitos discordam do facto da versão final do pacote de ajuda financeira não conter um aumento do salário mínimo mandatado pelo governo federal, mas um conhecido comentarista conservador, Bill Kristol, disse que a esquerda não tinha razões de queixa pois “esta é uma lei cuja maior parte do dinheiro vai para a classe média e classe trabalhadora, famílias de baixo rendimento e para o sector público”.

Para Kristol a esquerda “é na verdade ridícula” porque “isto é o maior gasto doméstico provavelmente desde Lyndon Johnson e a maior parte vai para coisas que os liberais gostam, o sector público, famílias de baixo rendimento”.

“Portanto penso que isto é uma grande vitória para Joe Biden que as pessoas estão a subestimar”, disse Kristol.

As críticas conservadoras

Mas do lado conservador há também muitas críticas ao pacote de ajuda. Num editorial o diário Wall Street Journal disse que apenas “uma pequena parte daquilo que os Democratas aprovaram vai para alívio da pandemia ou da economia”.

“É apenas uma estação no caminho para o estado do bem estar do berço ao enterro”, disse o Wall Street Journal para quem a maior parte do pacote vai para sindicatos do governo.

A este respeito críticos fazem notar por exemplo que 86 mil milhões de dólares vão para fundos de pensões de sindicatos, fundos esses à beira da falência em algo que nada tem a ver com a pandemia mas sim com má administração ou por promessas de reformas que os sindicatos nunca poderiam pagar.

O Wall Street Journal foi crítico do programa de aumento de subsídios de desemprego que com outras ajuda irá, segundo disse, “abrandar a recuperação do mercado de trabalho”.

Mas o senador Democrata Joe Manchin, considerado um dos moderados do Partido Democrata que se opôs a alguns pontos no projecto inicial disse que falar num pacote de ajuda económica para alívio da Covid não é apenas falar da questão médica.

“Alívio da Covid é mais do que apenas a vacina”, disse Manchin para quem “manter as pessoas capazes de ficarem em casa é tão urgente como qualquer outra coisa que façamos”.

Para o senador Democrata um pacote de alívio da Covid significa também assegurar que a força de trabalho e a economia serão capazes de avançar fortemente à medida que pandemia acaba.

“Eu quero assegurar que a força de trabalho está pronta a avançar e é essa a razão porque basicamente fizemos tudo ao mesmo tempo”, disse Manchin que acrescentou que um dos aspectos do projecto de lei é assegurar que a recuperação económica irá continuar em 2022 sem uma recaída.

O perigo da inflação

Uma das críticas ao pacote de ajuda é que segundo um estudo do gabinete orçamental do Congresso a economia americana perdeu cerca de 700 mil milhões de dólares na pandemia e que sendo o pacote de ajuda de um trilião e 900 mil milhões essa diferença irá aumentar as pressões inflacionárias no país.

Joe Manchin disse que para si essa não é uma preocupação porque os gastos foram espalhados gradualmente.

"Se dissessem que vamos gastar este ano um trilião e 900 mil milhões no topo daquilo que já gastamos poderia haver razão para alguma preocupação sobre isso”, disse o senador para quem a sua maior preocupação agora “é a dívida que acumulamos e que temos vindo a acumular através de todos os tipos de administrações”.

“Estamos a seguir esta questão com muito cuidado mas posso assegurar que neste momento ajudamos todos os segmentos da nossa sociedade como nunca o fizemos com esta legislação que tem alvos concretos”, acrescentou.

Essa questão da dívida vai ser um dos cavalos de batalha dos críticos do projecto de lei que deverá ser hoje aprovado na sua versão final e que vai colocar muitos dólares nos bolsos de muitos americanos que depois de um ano de pandemia da Covid 19 vão sem dúvidas ter motivo para pelo menos dizerem “ainda bem”.

E isso, claro está, é uma vitória de Biden e dos Democratas junto do eleitorado.

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