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Chefe da diplomacia brasileira cai e Jair Bolsonaro remodela Executivo


Jair Bolsonaro, Presidente brasileiro

Observadores dizem que Presidente cedeu ao "Centrão" e, em troca, colocou o Ministério da Defesa "debaixo do braço" dele

O Presidente brasileiro fez nesta segunda-feira, 29, a maior remodelação no seu Executivo desde 1 de Janeiro de 2019, ao trocar seis membros do Governo.

A saída mais significativa foi a de um dos mais próximos colaboradores de Jair Bolsonaro, que integra a ala ideológica do grupo que apoia o Presidente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, quem apresentou a sua demissão.

A cabeça dele foi pedida pelo denominado "Centrão", grupo de partidos alegadamente do centro que constitui a maior "bancada informal" na Câmara dos Deputados e cujo apoio é fundamental para qualquer Presidente ou partido manter-se no poder.

Araújo, apontado como influenciado pelos filhos de Bolsonaro, que mantêm uma forte ligação com ideólogos da extrema direita nos Estados Unidos, como Steve Bannon, um dos principais directores da campanha de Donald Trump, foi acusado de dificultar as negociações para a aquisição de vacinas junto da China e da Índia, ao criticar aqueles governos e minimizar a sua importância.

Para chefiar a diplomacia foi indicado o embaixador Carlos Alberto Franco França, diplomata de carreira e que estava na assessoria especial da Presidência da República.

Entretanto, houve também mudança no Ministério da Defesa, de onde saiu o general Fernando Azevedo e Silva, quem sempre recusou qualquer participação das Forças Armadas na política, ao contrário do que tem insinuado o próprio Presidente.

Junto de determinados círculos das Forças Armadas, na activa e na reserva, é voz corrente que Jair Bolsonaro cedeu ao Centrão, mas, em troca, puxou as Forças Armadas para debaixo do seu braço.

O novo ministro é o general Walter Souza Braga Netto, actual chefe da Casa Civil e para a Secretaria de Governo da Presidência da República irá a deputada federal Flávia Arruda, do Partido Liberal (PL), vinculado ao “Centrão”.

Ela é um nome do partido de Valdemar da Costa Neto e tem o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira, e agora passa a ser a responsável pela articulação política do Palácio do Planalto.

Também o ministro da Justiça, André Mendonça, que não conseguiu ocupar o papel desempenhado pelo ex-juiz Sérgio Moro, deixou a pasta e assumiu a Advocacia da União, cujo titular, José Levi Júnior, demitiu-se, alegadamente por não apoiar as investidas de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal.

O Ministério da Justiça passará a ser liderado pelo delegado da Polícia Federal Anderson Torres.

O anúncio das mudanças nos ministérios ocorreu no início da noite desta segunda-feira e os decretos serão publicados no "Diário Oficial da União" desta terça-feira, 30.

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