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Caso Manuel Chang: aumenta pressão sobre a justiça sul-africana


Antigo ministro moçambicano das Finanças volta a tribunal no dia 7

O antigo ministro moçambicano das Finanças, Manuel Chang, regressa ao tribunal na quinta-feira, 7, para saber se vai ser extraditado para os Estados Unidos ou para Moçambique, no caso conhecido como “dívidas ocultas”.

Caso Manuel Chang: aumenta pressão sobre a justiça sul-africana
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Nas vésperas de mais um capítulo desse processo que se arrasta desde que o também actual deputado da Frelimo foi detido a 29 de Dezembro de 2018 na África do Sul, aumenta a pressão em Moçambique para que ele seja extraditado para os Estados Unidos porque há a convicção de que no seu país a justiça não é séria.

O sistema de justiça sul-africano está numa situação complicada relativamente ao caso Manuel Chang porque qualquer decisão que venha a tomar trará consequências imediatas para a própria África do Sul, que tal como Moçambique, está em ano eleitoral, e o ANC, partido no poder, não está tão bem como há alguns anos.

Para uma grande parte dos moçambicanos, isso não é muito relevante porque o que é mais importante é que Manuel Chang seja julgado nos Estados Unidos, onde é maior a probabilidade de ele ser responsabilizado pelos crimes de que é acusado.

"Se ele voltar para Moçambique, vamos vê-lo a passear como se nada tivesse feito", disse o jovem Américo Francisco.

A defesa de Manuel Chang está a lutar para que o seu constituinte seja julgado em Moçambique, mas para alguns sectores da opinião pública esta batalha está quase perdida e deve ser extraditado para os Estados Unidos porque a justiça sul-africana está ciente dos danos que Chang causou ao seu país.

O analista Moisés Mabunda é também da opinião de que o antigo governante moçambicano vai mesmo ser extraditado para os Estados Unidos da América, "porque até à altura da detenção do nosso compatriota, não havia mandado de captura nenhum emitido pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique, para além de que o sistema de justiça sul-africano é muito sério".

O jurista António Boene considera que este caso está a embaraçar o sistema de justiça sul-africano porque decidindo pela extradição para os Estados Unidos "é evidente que as relações da África do Sul com alguns sectores em Moçambique podem esfriar".

Boene destaca que "não olho só para Moçambique, mas para os outros países da região, que se podem sentir traídos pela África do Sul por ter autorizado a extradição de Manuel Chang para os Estados Unidos, mas se permitir que ele venha para Moçambique, isso pode também causar a ira dos americanos".

Na opinião daquele analista, estes e outros factores vão determinar a decisão a ser tomada pela justiça sul-africana relativamente ao caso Manuel Chang, que se encontra detido na África do Sul desde 29 de Dezembro do ano passado.

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