PARIS (AP) – Um tribunal francês condenou três agentes da polícia por “violência voluntária” contra um jovem trabalhador num subúrbio de Paris, que sofreu ferimentos graves no reto, após ser agredido com um bastão policial durante uma verificação de identidade há sete anos.
Os três policias receberam penas de prisão suspensa, uma de 12 meses e as outras duas de três meses cada.
Theo Luhaka, um jovem trabalhador de ascendência africana que tinha 22 anos na altura, abriu um processo acusando os agentes de o terem agredido durante uma verificação de identidade em Fevereiro de 2017, em Aulnay-sous-Bois, um subúrbio da classe trabalhadora a nordeste de Paris, com uma grande população imigrante.
Os defensores dos direitos queixam-se há muito tempo de a polícia francesa abusar dos seus poderes durante verificações de identidade de pessoas de cor.
Apesar das sentenças leves, o veredicto trouxe uma sensação de encerramento para Luhaka, afirmaram a imprensa francesa os seus advogados.
“É uma decisão... que consideramos uma vitória”, disse Antoine Vey, advogado de Luhaka, segundo o diário Le Monde.
Luhaka não falou, mas disse anteriormente que ficaria aliviado se a polícia fosse condenada.
O advogado de Marc-Antoine Castelain, o agente que recebeu a pena de 12 meses, também saudou o veredicto.
“A primeira impressão do nosso cliente é o imenso alívio que, pela primeira vez, aos olhos da França, foi estabelecido que... ele não é um criminoso”, disse Thibault de Montbrial, segundo o Le Monde, acrescentando que o tribunal esclareceu as suas ações na época.
A raiva generalizada irrompeu depois de um vídeo ter surgido online, aparentemente mostrando a prisão de Luhaka em 2 de Fevereiro de 2017.
No caso de Théo Luhaka, o Le Monde informou que Castelain, o oficial que usou o bastão, também foi proibido de portar arma ou patrulhar as ruas durante cinco anos.
Os outros dois oficiais receberam proibições semelhantes por dois anos. Todos os três negaram qualquer irregularidade e disseram que a sua reação foi justificada porque o jovem estava em “rebelião”.
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