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Caso Álex Saab: Governo de Cabo Verde diz não ter enviado ninguém para conversações com Maduro


Luís Filipe Tavares, ministro dos Negócios Estrangeiros

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde considerou falsa a notícia posta a circular de que o Governo do arquipélago teria enviado emissários para conversações com o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, quando se aguarda a decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o recurso da defesa do empresário Álex Saab, depois do Tribunal da Relação de Barlavento ter autorizado a sua extradição para os Estados Unidos.

"Tais informações são absolutamente falsas. O Governo de Cabo Verde não enviou ninguém, nem qualquer missão, à República Bolivariana da Venezuela”, diz o comunicado colocado na página oficial do Governo.

A nota lembra que “Cabo Verde é um Estado de Direito democrático, onde os tribunais são independentes e as garantias de defesa se aplicam a todos os indivíduos, razão pela qual existe confiança no sistema judicial, que decidirá sobre o caso de extradição do senhor Alex Nain Saab Morán em curso”.

O Ministério adverte, por outro lado, “que qualquer ação, contato ou démarches fora do quadro institucional e de representação oficial são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não vinculam o Estado de Cabo Verde”, que espera que “a verdade seja reposta com a mesma urgência e publicidade com que as infundadas alegações foram divulgadas”.

A notícia

A reação das autoridades cabo-verdianas surge depois de o jornal americano El Nuevo Herald ter divulgado hoje que dois empresários cabo-verdianos encontraram-se com o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas, a mando do Governo da Praia.

O jornal, que cita “fontes familiarizadas com a situação”, revela que o presidente do Conselho de Administração da Emprofac, Gil Évora, e o empresário Carlos dos Anjos, antigo diretor geral do Turismo, “passaram a noite de segunda-feira, no palácio presidencial de Miraflores”, num “esforço do governante Nicolás Maduro para conseguir que o país africano liberte o seu principal sócio, o empresário Álex Saab", cuja extradição foi solicitada pelos Estados Unidos por lavagem de dinheiro”.

Ainda de acordo com as mesmas fontes, os alegados enviados do Governo da Praia “chegaram num avião privado no terminal presidencial, conhecido na Venezuela por “Rampa Quatro” e “do Aeroporto Internacional de Maiquetia, os indivíduos foram levados para o palácio presidencial”.

“Eles dormiram em Miraflores, não ficaram em nenhum hotel, acrescentou uma fonte sob anonimato do jornal com sede em Miami.

Embora as supostas negociações tenham tido lugar à porta fechada, o jornal garante que centraram-se na “luta diplomática entre Caracas e Washington” e que duraram horas.

Nicolás Maduro presente

Ainda de acordo com as mesmas fontes, nas supostas negociaçōes “participaram o Presidente Maduro e por video-conferência várias figuras do chavismo, entre elas o ministro de Petróleo, Tareck El Aissami, e o ministro da Informação, Jorge Rodríguez”.

O El Nuevo Herald, que cita os modelos e referências dos aviões usados na viagem de Lisboa a Caracas, e vice-versa, garante que os dois supostos enviados, saíram na tarde de terça-feira, 18, de Caracas em direção a Lisboa, em Portugal, depois de uma escala em São Vicente e Las Granadinas.

Antes do posicionamento do Governo de Cabo Verde, num breve contato a meio da tarde, via uma rede social, com Gil Évora, um dos citados no artigo, ele disse à VOA que se encontra de férias em Lisboa e que, como o artigo dizia que eram enviados do Governo, que fosse questionado o Executivo da Praia.

Exercícios com os Estados Unidos

Entretanto, no período da manhã desta quarta-feira, 19 de agosto, o chefe da diplomacia cabo-verdiana, que responde também pela pasta da Defesa Nacional, refutou opiniões avançadas em alguns círculos de que a presença do navio Beate da Guarda Costeira americana no país esteja relacionada com o “caso Alex Saab”.

“Não tem nada a ver, em relação a esta matéria já dissemos várias vezes que é um assunto que está sob alçada da justiça (…) e o Governo não se pronuncia sobre esta questão”, afirmou Luís Filipe Tavares, questionado por jornalistas à margem da realização de exercícios de salvamento na cidade da Praia, entre as marinhas dos dois países, que, para ele, “é mais uma ação inserida nas relações excelentes que Cabo Verde tem com os seus parceiros, neste caso com os Estados Unidos da América”.

Entretanto, em Miami, o senador republicano Mario Rubio escreveu às primeiras horas de hoje no Twitter que "apesar dos esforços corruptos de algumas pessoas, o Governo de Cabo Verde ignorou as ameaças e refutou as tentativas de suborno do regime de Maduro ante o pedido de extradição dos Estados Unidos de Álex Saab, o homem que dirige a lavagem de dinheiro do regime”.

Detido em Cabo Verde a pedido da justiça americana, o empresário colombiano e enviado especial do Governo da Venezuela, segundo Caracas, Álex Saab aguarda o recurso apresentado pela defesa junto do Supremo Tribunal de Justiça à sentença do Tribunal de Relação de Barlavento que, a 31 de julho, autorizou a sua extradição para os Estados Unidos.

O Governo da Venezuela e a defesa do empresário consideram a prisão ilegal e acusam os Estados Unidos de perseguir Saab devido às funções que ele tem desempenhado para obtenção de produtos para o país.

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