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Carlos Reis: Enquanto houver pobreza e dependência, os sonhos de Cabral estarão por realizar-se


Combatentes da Liberdade da Pátria, Amílcar Cabral (meio), Carlos Reis (2º dir). em Boé, no leste da Guiné-Bissau. Julho de 1970

Companheiro de armas de Amílcar Cabral destaca o pensamento, a acção e os sonhos do líder da luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde

As ideias de Amilcar Cabral “são suficientemente generosas, profundas e abrangentes para que não possam ser realizadas por uma única geração”, afirma Carlos Reis, antigo companheiro de armas do líder da luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde.

O primeiro ministro da Educação de Cabo Verde, entre 1975 e 1981, acredita que “as gerações vindouras hão de continuar por esse caminho” que ainda é longo.

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Carlos Reis, combatente da liberdade da Pátria, antigo ministro da Educação de Cabo Verde
Carlos Reis, combatente da liberdade da Pátria, antigo ministro da Educação de Cabo Verde

Em conversa com a VOA sobre os sonhos de Cabral, no dia em que se assinala o 49º aniversário do seu assassinato, a 20 de Janeiro de 1973, o também presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria de Cabo Verde afirma que, com o desaparecimento físico do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), os companheiros tinham e têm a “consciência de que o preenchimento desse vazio é extremamente difícil devido à sua capacidade, sua inteligência superior”, mas reconhece que “o colectivo acaba sempre por superar as fragilidades das capacidades individuais”.

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A propósito daquela figura marcante da história, Reis lembra que não é por acaso que a Unesco adopta “as memórias dele como parte da memória do mundo”, porque ele foi “mais do que um grande cabo-verdiano, mais do que um africano, mais do que um patriota, foi um ser humano de uma envergadura invulgar, que pensou os problemas da humanidade no seu conjunto e que é ainda hoje um símbolo forte da luta dos povos que ainda sofrem e dos que se consideram espoliados de qualquer forma, da luta que os pobres, também precisam fazer, assumindo a sua auto-responsabilidade, como Cabral falava, procurando caminhos da paz, do amor ao próximo e da solidariedade”.

Combatentes da Liberdade da Pátria, primeira fila Pedro Pires (meio), segunda fila Carlos Reis (2º dir). em Conakry, junto ao secretariado do PAIGC, em Miniére. Abril de 1970. Guiné-Bissau
Combatentes da Liberdade da Pátria, primeira fila Pedro Pires (meio), segunda fila Carlos Reis (2º dir). em Conakry, junto ao secretariado do PAIGC, em Miniére. Abril de 1970. Guiné-Bissau

Os sonhos de Amílcar Cabral, segundo o antigo professor da Escola Piloto do PAIGC em Conacri, não estarão realizados "enquanto houver pobreza, que atinge a dignidade das pessoas”.

“A luta no sentido de procurar eliminar a pobreza extrema, reduzir a pobreza, fazer crescer o desenvolvimento económico e ter a certeza da sustentabilidade para o nosso crescimento é o caminho para a concretização dos sonhos" de Cabral.

Nos tempos actuais, Carlos Reis considera que esses ideais ganham novos contornos, mas com o mesmo objectivo final.

Por isso, ainda há chão pela frente porque, conclui, “as ideias de Cabral são suficientemente generosas, profundas e abrangentes para que não possam ser realizadas por uma única geração e as gerações vindouras hão de continuar por esse caminho”.

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O percurso

Natural de São Vicente, onde nasceu em 1946, Carlos Nunes Fernandes dos Reis fez seus estudos liceais na sua ilha natal e seguiu para o Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina em Lisboa em 1964. Terminou a formação em 1969.

Ainda na capital portuguesa, a meados da década, integrou a organização clandestina do PAIGC e, em Janeiro de 1970, desembarcou em Conacri, quartel-general do partido e da luta pela independência.

Com a queda do regime fascista em Portugal, a 25 de Abril de 1974, ele foi o primeiro quadro do partido a deixar Conacri e a chegar a São Vicente, no mês seguinte.

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Governo

Aos 28 anos, em 1975, assumiu o Ministério da Educação, onde se manteve até 1981.

Entre 1984 e 1989, foi embaixador de Cabo Verde em Portugal, com jurisdição também em Espanha, França, Itália e Marrocos.

Condecorado com o 2º grau da Ordem Amílcar Cabral, Comandante das Forças Armadas de Cabo Verde, na reserva, é presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria e está ligado como investigador à Fundação Amílcar Cabral.

Doutor Honoris Causa pela Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), na especialidade Ciências Sociais, Humanas e Artes, em 2019, Carlos Reis é autor da obra “A Educação em Cabo Verde Um outro olhar” (2019).

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