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Camboja: Autoridades prendem activistas antes do regresso de líder da oposição


Sam Rainsy

As autoridades do Camboja lançaram uma ofensiva contra activistas numa acção que, segundo observadores, é uma tentativa de intimidar os simpatizantes da oposição antes do regresso planeado, a 9 de novembro, de Sam Rainsy, o chefe interino da agora dissolvido partido Nacional da Salvação do Camboja (CNRP).

Rainsy, que está em auto-exílio, e enfrenta uma série de acusações e condenações à revelia e vários mandados de prisão, planeia com outros, que fugiram do país em 2017 depois da dissolução do CNRP, voltar a 9 de novembro, o Dia da Independência do Camboja e o aniversário do dia em que o Muro de Berlim caiu.

Segundo uma lista do CNRP, 37 activistas afiliados ao partido e ex-oficiais foram presos este ano e colocados em prisão preventiva. Treze deles foram presos em setembro. Desde então, mais quatro membros foram presos. Mais de uma dúzia de outros foram acusados na semana passada de incitação ao crime ou conspiração para derrubar o governo por tentativas de mobilizar cidadãos para o regresso dos líderes da oposição.

Phay Siphan, um porta-voz do Conselho de Ministros do Camboja, disse que as prisões foram justificadas porque os presos indicaram que se juntariam a Rainsy no seu regresso para realizar um golpe.

"Sam Rainsy ordenou que o exército apontasse as armas contra o governo eleito", disse Siphan à VOA. “Eles apelaram a todos que se virem contra o governo”.

Entretanto, caso a oposição regresse ao Camboja, o primeiro-ministro Hun Sen ameaçou este mês mobilizar forças armadas para impedir uma rebelião armada, já que o partido da oposição havia pedido que as forças armadas desertassem.

A vice-presidente do CNRP, Mu Sochua, rejeitou as alegações de que seu grupo pegaria em armas. O partido "rejeita resolutamente a noção de que o retorno do exílio dos líderes do CNRP possa ser tratado como 'intenção de cometer uma rebelião armada', já que essas acusações não têm relação nem com a realidade nem com a legalidade", escreveu ela no Twitter, acrescentando:" Nós não temos armas"

Numa mensagem à VOA, ela disse que o CNRP convocou os soldados a deporem as armas e "atravessarem para o lado civil".

O vice-diretor da Human Rights Watch para a Ásia, Phil Robertson chamou a ideia de que o CNRP voltaria ao Camboja para dar o golpe "francamente risível".

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