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Cadeias brasileiras continuam sendo geridas de forma amadora e a crise se acentua, diz especialista


Foto de arquivo

Os estados não conseguem promover melhorias no sistema e o governo federal pouco tem feito para reverter esse quadro.

Mais uma vez, os brasileiros iniciam um ano assistindo casos de violência nas cadeias do país. A guerra entre os reclusos de facções rivais e as constantes rebeliões vem ganhando novos capítulos a cada dia em todo o país. Os estados não conseguem promover melhorias no sistema e o governo federal pouco tem feito para reverter esse quadro.

A Voz da América repercutiu esse assunto com o especialista em segurança pública Luís Flávio Sapori. Ele faz uma análise do sistema prisional brasileiro.

Apenas neste ano em Goiás, nove reclusos morreram numa rebelião e mais de 200 fugiram.

Cadeias brasileiras continuam sendo geridas de forma amadora e a crise se acentua, diz especialista
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“O ano de 2018 começa com outra grave crise no sistema prisional brasileiro, desta vez no estado de Goiás. Repete-se o mesmo roteiro, o mesmo drama dos eventos ocorridos no ano passado e em outros anos nos estados do Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul entre outros. Ano após ano persiste a mesma crise, a mesma situação de barbárie no sistema prisional brasileiro. A questão que se coloca para todos nós brasileiros preocupados com a segurança pública é a seguinte: por que ano após ano o sistema prisional do país só nos dá manifestação de barbárie? A resposta que mais ouvimos de especialistas na área é que o sistema está falido. Se ele está falido é porque a pena de prisão já não cumpre mais sua função ou porque de alguma maneira o Brasil aprisiona demais. Supõe-se que exista o que se chama de um aprisionamento em massa no país”, disse.

Sapori vê outra explicação para o agravamento da violência nas cadeias brasileiras.

“Não concordo com essa afirmativa, nem com essa resposta. Do meu ponto de vista o sistema prisional brasileiro não está falido. O que está falido é a maneira como se administra a pena de prisão no Brasil. É a forma como os governos estadual e federal nas últimas décadas lidam com a administração prisional, de uma forma amadora. O que está falido não é a pena de prisão em si mesma. A pena de prisão continua sendo importante numa sociedade democrática e civilizada. Não pode haver segurança pública sem prisão. Por outro lado, o desafio da sociedade brasileira é aprisionar quem deve ser preso e principalmente administrar com um mínimo de profissionalismo e racionalidade o sistema prisional com um todo”, ressaltou.

Ele entende que é preciso uma mudança urgente na forma de administrar a segurança pública no país. Caso contrário os recorrentes actos de violência vão continuar se alastrando pelas prisõesdo país.

“A solução para esse problema passa necessariamente por uma mudança de postura no gerenciamento do sistema prisional. Isso vale para os governos estadual e federal. Em primeiro lugar, é preciso investir mais nesse sistema. O que gastamos hoje em torno de R$ 200 milhões/ano nas prisões brasileiras com investimentos é muito pouco. Precisamos de mais dinheiro para construir mais unidades e para melhorar a qualidade de atendimento ao preso, diminuindo principalmente a superlotação. É fundamental administrar o sistema com mais profissionalismo valorizando o trabalho dos agentes envolvidos e refazendo parcerias com a iniciativa privada e com a sociedade civil”, concluiu.

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