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Cabo-verdianos em Itália relatam pânico, restrições e incertezas


Milão deserta

A Itália está em quarentena total devido à epidemia do novo coronavírus e o pânico é um sentimento generalizado.

Cabo-verdianos que integram uma significativa comunidade em Milão, centro da epidemia no país, relatam à VOA o seu dia-a-dia de pânico, temor e incertezas, no meio de “medidas estritas só vistas em tempo de Guerra".

Cabo-verdianos em Itàlia relatam pânico, medo e incertezas
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Alguns continuam a trabalhar porque estão em setores considerados importantes, mas muitos foram enviados para casa, o que começa a preocupar os visados, tendo em conta o impacto na economia familiar e do país, nomeadamente numa cidade turística como Milão.lex Ramos, natural da ilha de São Nicolau, está em casa porque trabalho na hotelaria que, por esses dias, viu cair a demanda.

Alex Ramos
Alex Ramos

Tensão e cumprimento de normas

Ele diz que vive-se “um momento de pânico, único, nunca visto, talvez só em tempo de guerra e com muitas restrições”.

Ramos reconhece que “as pessoas não sabem lidar com a situação” e alerta que “o problema maior pode ser o que está por trás porque a economia está a cair”.

Albertino Vezo Silva
Albertino Vezo Silva

Residente também em Milão, Albertino Vezo, natural da ilha de São Vicente e técnico de um laboratório de pesquisas em animais, admite “o sentimento de temor” e diz que a vida das pessoas está afetada.

“Como estoiu de férias, fui levar a minha esposa no trabalho de carro para que ela não use transportes públicos porque pode ser perigoso, aproveitei por passar num supermercado para não ter de fazer compras nos próximos dias”, conta Vezo que cancelou uma viagem que tinha programado com a família para a França.

Nas ruas, o contato é mínimo e qualquer sinal de eventual sintoma é motivo de pânico.

Alex Ramos diz que entrou numa farmácia e ao se aproximar de uma vendedora “ela se afastou naturalmente para um metro de distância, como impoem as normas”.

A presença de uma pessoa aparentemente asiática "afasta as pessoas", acrescenta,

“E se uma pessoa tosse ou tem algum sintoma semelhante a gripe, todos se afastam”, exemplifica Ramos, quem lamenta, no entanto, que “devido à forma de ser dos italianos muitos não estão a seguir as normas às ricas”.

O italiano é conhecido pela sua liberdade e alguma rebeldia e estas características estão a ser combatidas pelo Governo com medidas que limitam o movimento das pessoas.

Normas podem funcionar ou não

Albertino Vezo alerta que as medidas no entanto “podem ser contornadas, principalmente pelos jovens que acreditam que o novo coronavírus apenas afeta os mais idosos devido à baixa taxa de infeção na camada juvenil”.

No entanto, admite que as normas “podem funcionar ou não e o melhor é a prevenção”.

Este novo “estado” tem tido implicações também nas tradicionais reuniões e festas das comunidades de imigrantes que “por imposições do Governo não podem acontecer”, segundo Albertino Vezo.

Nesta quarta-feira, 11, o Governo ordenou o encerramento de todos os estabelecimentos comerciais à exceção dos de primeira necessidade, como supermercados ou farmácias.

A Itália tem, até hoje, mais de 12 mil infetados e pelo menos 827 mortos.

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