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Cabo Delgado, campo de longos anos de violência pode ter chegado a um ponto extremo


Deslocados de guerra em Cabo Delgado

Analistas apontam para um longo historial de violência na província moçambicana

A situação de denúncias de violações dos direitos humanos em Moçambique, particularmente na província de Cabo Delgado, deve ser entendida em toda a estrutura social, ligada ao longo historial de violência e de exclusão sobretudo dos jovens, que sentem que não estão a viver numa sociedade meritocrática.

Cabo Delgado, campo de longos anos de violência pode ter chegado a um ponto extremo
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Esta é a leitura de vários analistas antes os insistentes pedidos recentemente feitos por várias personalidades e organizações internacionais, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para que as autoridades moçambicanas investiguem violações de direitos humanos no país.

O pesquisador do Observatório do Meio Rural, João Feijó, diz que tem sido largamente difundida a ideia de que o moçambicano é pacífico, mas ela não tem equivalência na realidade e o país tem estado a assistir a longas e intensas práticas de violência.

Para aquele pesquisador "o norte de Cabo Delgado "é um sítio com muitas práticas de violência", realçando que quem tiver hoje 60 anos passou mais de metade da sua vida em guerra.

João Feijó tem trabalhado mais na província de Cabo Delgado e avança que nos últimos 60 anos, "o mais normal foi estar-se em guerra e num clima de grande agressividade, com todo o clima de radicalismo que se criou".

Feijó fez notar que "esta situação de as Forças de Defesa e Segurança perderem a cabeça, no terreno, antes de mais nada, deve ser entendida num cenário de longa violência que está intricada na sociedade moçambicana".

Entretanto, o economista João Mosca considera que numa situação de conflito, sobretudo de guerra de guerrilha, ocorre a questão psicológica, de intimidação das populações, porque a população acaba por ser a base social onde os guerrilheiros podem actuar e também o exército governamental pode ter apoio.

Ele refere que "isto significa que a população é um elemento fundamental de disputa entre as duas partes, e quando existem evidências de que a população ou elementos da população, de algum modo criaram uma relação com uma das partes, a outra parte procura intimidar ainda mais a população".

"Quando falamos da população neste contexto, é muito difícil isto não acontecer e mais difícil é quando o Governo impede o trabalho dos jornalistas, igrejas, organizações da sociedade civil e das próprias comunidades locais. Isso é correspondido com mais violência por parte do Estado, e então a população também reage em conformidade", observa o director executivo do Observatório do Meio Rural.

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